sáb 18 maio 2024
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Setembro Amarelo: Arteterapia complementa tratamentos médicos

Oficializada em 2015, a campanha Setembro Amarelo é uma iniciativa do Centro de Valorização à Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria, tendo como objetivo conscientizar a sociedade sobre a prevenção do suicidio. Além disso, a data também movimenta diversos debates a respeito da saúde mental, buscando, em principal, encontrar meios de ajudar o cuidado do bem-estar mental.

Segundo estudos conduzidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a incorporação de mídias artísticas no cuidado da saúde pode proporcionar uma variedade de benefícios, servindo não só como prevenção de problemas de saúde, como também complementando o tratamento de doenças. 

A Arteterapia, como é popularmente conhecida, oferece uma forma de expressão, relaxamento e conexão social. Essa prática chegou no Brasil na primeira metade do século passado, elaborada pelos psiquiatras Osório César (1895-1979) e Nise da Silveira (1905-1999). A influência de Nise da Silveira chegou a virar filme, em Nise – O Coração da Loucura (2016), acompanhamos a psiquiatra contrariando os métodos convencionais de tratamento de esquizofrenia e tratando seus pacientes com amor e arte, evidenciando melhorias significativas e mudando a maneira de se tratar pacientes.

A psicóloga Karen Scholz trabalha no Consultório particular e clínica CERENA (centro de Reabilitação Neuropediátrica) e afirma que a arteterapia permite que as pessoas manifestem sentimentos e pensamentos, além de auxiliar na elaboração de emoções. Karen presenciou a melhora no quadro de pacientes em contato com a arte quando trabalhava no núcleo de apoio a vitima de estupro do Ministério Público, na atuação de um grupo de arteterapia para auxiliar as mulheres.

Outro exemplo de melhora por meio do contato com as artes é o envolvimento com a cultura, muitas vezes levado por voluntários em locais como asilos, clínicas e hospitais. Esses tipos de atividade ajudam tanto os pacientes que desenvolvem autoestima e sensibilidade artística, quanto os próprios artistas voluntários, despertando o espírito solidário.

A Rede Sol é um programa de voluntariado da Fundação Cultural de Curitiba fundada em 1997 que realiza apresentações artísticas em diversas instituições contando com mais de 80 mil pessoas assistidas dentro de seus anos de história. O programa atende mais de 52 organizações como Pequeno Cotolengo, APAE de Santa Felicidade e Associação Padre João Ceconello. 

A rede tem como objetivo levar arte e cultura para aqueles afastados temporariamente por motivo de saúde, abandono ou imposição da justiça, inspirando alegria, descontração e inclusão social por meio da cultura.

Vídeo: Divulgação Rede Sol

A coordenadora do projeto, Marilene Lima, comenta que as apresentações são preparadas para que a plateia possa interagir e participar junto com o artista. Segundo a coordenadora, muitas vezes as atividades da Rede Sol são as únicas visitas que os pacientes das instituições recebem.

“Uma das visitas que mais me marcou foi na ala infantil do Hospital Herasto. Quando chegamos fomos avisados de que uma das crianças havia falecido e pensamos em cancelar a visita, mas uma das enfermeiras nos pediu para realizar a atividade, explicando que ajudaria a levantar o clima pesado tanto das crianças quanto dos pais e funcionários. Tiramos algumas risadas das crianças e no final da apresentação duas mães vieram agradecer e dizer como essas atividades são importantes para as crianças e seus familiares.” relata Marilene Lima, coordenadora da Rede Sol.

As visitas também são terapêuticas para os próprios artistas voluntários, que conseguem ver na plateia a importância de suas apresentações. Renan Cardoso é voluntário desde o início do projeto, realizando apresentações de músicas sertanejas com Mannu Rodrigues, sua acordeonista. Segundo o cantor, o maior incentivo de participar do projeto é a emoção presenciada durante suas apresentações “A cada apresentação me sinto realizado, com o coração leve de ver que minha música fez bem para aquelas pessoas”.

Carlos Moreira no Lar Dona Iracy. Foto: Divulgação Rede Sol

Eduardo Batistel também é voluntário na Rede Sol e participa do programa há um ano, realizando apresentações de voz e violão com ênfase em canções brasileiras de pop/rock e MPB, incluindo canções autorais. Para o cantor, a conexão e interação entre público e artista que sempre induz a um despertar de emoções.

“Na minha primeira apresentação, como forma de demonstrar a conexão com o público, resolvi comentar sobre o autor das canções antes de tocá-las. Ao final uma das pacientes veio me agradecer por informar quem eram os compositores, pois ela gostava de jogar o jogo Show do Milhão e isso iria ajudá-la” relata Eduardo Batistel, um dos voluntários do projeto.

Atualmente a Rede Sol conta com 26 voluntários ativos e é responsável por organizar todas as questões de logística e infraestrutura, auxiliando no contato entre os artistas e instituições. Aqueles que desejam entrar no programa podem se voluntariar pelo e-mail, redesol@fcc.curitiba.pr.gov.br, ou presencialmente na rua Engenheiros Rebouças, 1732.

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