sáb 23 out 2021
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Slow food: a arte de comer bem

Completa duas décadas de existência em 2009 o movimento Slow food, surgido na Itália com o princí­pio de aproveitar o prazer da alimentação e contrapor a premissa do moderno Fast food. Fundada pelo ativista alimentar italiano Carlo Petrini, a tendência opõe-se à padronização dos sabores e valoriza a boa refeição, que deve ser composta por alimentos nutritivos e de qualidade associados à responsabilidade sobre o meio ambiente e a um consumidor preocupado, exigente e bem informado.
Reunindo indiví­duos das mais diversas profissões e com os mais variados padrões sociais, o movimento formalizou-se como organização internacional sem fins lucrativos em 1989. Agora, comemora seu vigésimo aniversário com mais de 85 mil membros de 132 paí­ses, entre eles o Brasil, que possui unidades de conví­vio denominadas convivium em 13 estados. “Na Argentina o Slow food é forte, em Brasí­lia e em São Paulo existem atividades interessantes, mas ainda é bastante fraco nos demais Estados”, analisa o atual lí­der da unidade paranaense e ex-reitor da UFPR, Carlos Roberto Antunes dos Santos.

Filosofia
O Slow food segue o conceito de ecogastronomia que abrange alimentação, qualidade de vida e sobrevivência dos ecossistemas da Terra. O indiví­duo deve buscar um alimento que seja “bom, limpo e justo”, referindo-se o adjetivo “bom” ao sabor e à apreciação do alimento, enquanto “limpo” significa não prejudicar o meio ambiente nem a saúde humana e “justo” ganha conotação social ao defender condições que satisfaçam todos os envolvidos no processo, desde o produtor até o momento final da comercialização.
Para os adeptos do movimento, a melhor maneira de conter a alimentação fútil e apressada é a educação e a disseminação do conhecimento, que levam a uma mudança da postura individual do homem moderno. “Eu não abro mão de almoçar em casa e levo em torno de duas horas, apreciando o sabor de cada alimento”, revela Antunes dos Santos. Para quem pensa como ele foram criados os convivium que, como o nome indica, são espaços de convivência com o objetivo de educar o gosto através de cursos, palestras, jantares, degustações e visitas à feiras e mercados orgânicos.

Para realizar essa mudança de comportamento individual, a organização realiza um trabalho de conscientização. Aliada a governos e entidades internacionais e também, encabeça projetos como o Terra Madre, que organiza feiras e mercados nacionais e internacionais, o Arca do Gosto para catalogar e atrair atenção internacional aos produtos que correm o risco de extinção e o Fortalezas que incentiva a produção artesanal e atua em menor escala com especificidade geográfica. Um exemplo é a Fortaleza do Pinhão Selvagem em Lages, que incentiva a produção e o consumo de um bem cultural próprio da região Sul do paí­s: o pinhão.

Em solo paranaense

Na última segunda-feira (14), o recém criado Convivium Proví­ncia do Paraná, com sede em Curitiba e liderado por Antunes do Santos, recebeu o aval da organização italiana (hierarquia maior do Slow food). Fundado no ano passado pelo advogado Gustavo Langowiski e hoje com 18 membros ativos, o grupo busca o apoio da UFPR no desenvolvimento de pesquisas e pleiteia uma possí­vel doação de espaço para o funcionamento da sede fí­sica.
A abertura do espaço na cidade não aparece apenas como demanda de um caso isolado no desenvolvimento de uma postura e consciência alimentar. Das aproximadamente 40 feiras que ocorrem na cidade, nove já são orgânicas. Isso demonstra tentativas iniciais de incentivar o curitibano consciente a buscar alimentos mais saudáveis e que valorizem a produção local. Adquirir o alimento diretamente de quem o produz gera uma sociabilidade que proporciona uma dinâmica de experiências, dicas, receitas e, também, uma troca de valores.

Comida boa é comida cara
O Slow food recebe, por vezes, a crí­tica de ser um movimento elitista, já que os alimentos orgânicos costumam ser mais caros que os equivalentes de produção comum. “Não necessariamente”, responde Langowiski, que citando `A Riqueza das Nações` de Adam Smith, defende: “se houver uma maior demanda pelo produto orgânico, a tendência deste é baixar o preço. Com isso cairia a demanda pelo produto comum, cujo preço iria subir”.

Já Moacir Darolt, engenheiro agrônomo presidente da Associação de Consumidores de Produtos Orgânicos (Acopa) e pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) afirma que o alimento orgânico tem uma diferença mais substancial de preço quando comparado ao vendido nos supermercados. Entretanto, se comparado ao alimento comum vendido em feiras, a variação do custo não é tão marcante. “As folhas verdes, como alface e rúcula, por exemplo, não têm grande diferença no preço. Já a batata e o tomate orgânicos serão bem mais caros que o de produção comum, pois estes são os que mais levam agrotóxicos”, justifica.
Para o agrônomo, a qualidade de vida agregada ao alimento orgânico e a relação custo beneficio deste em relação ao seu equivalente comum. “O alface orgânico pode durar até duas semanas no congelador, enquanto até mesmo o hidropônico não passa de três ou quatro dias.”, exemplifica Darolt.


Conheça o convivium de Curitiba:
Av. Candido Hartmann, 570, conjunto 292
80730-440 – Curitiba PR

Preferenciar alimentos saudáveis e saborear cada um dos alimentos são as bases do Slow food
Bárbara Antunes
Gustavo Langowiski, fundador e co-lí­der do convivium paranaense
Roberta Zandonai
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