ter 26 out 2021
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“Tráfico Humano” é o tema da Campanha da Fraternidade de 2014

Atualmente, de acordo com a ONU, 2,5 milhões e meio de pessoas no mundo são vítimas do tráfico humano. (Foto: Divulgação)

O tráfico humano é o tema da campanha da fraternidade deste ano e envolve crimes como o trabalho escravo, tráfico de órgãos e de crianças e a exploração sexual. Promovida pela Igreja Católica, a campanha é trabalhada nas paróquias e entidades católicas desde 1964, e tem como objetivo despertar a solidariedade em seus fiéis e na sociedade para mudar uma realidade social brasileira.

A Campanha é realizada efetivamente na Quaresma, período em que as pessoas estão, em geral, mais sensíveis a atitudes de caridade, explica o Padre Joaquim Parrom, Missionário Redentorista. “A Igreja Católica insiste que a caridade vai além de ‘dar uma esmola a um pobre’, mas a maior caridade é mudar o cenário socioeconômico e político onde todos tenham seus direitos garantidos.”, afirmou Parrom. Em relação às Campanhas anteriores, o Padre se mostrou satisfeito com o resultado. “Lembro bem das campanhas passadas, que falavam dos direitos dos mais pobres, das pessoas com deficiência, dos negros, dos sem terra e sem teto. Todas estas Campanhas geram grandes mobilizações que levou o governo a mudar atitudes e programas para favorecer estes povos mais sofridos e vulneráveis”.

Não existem números exatos que mostrem a quantidade de pessoas que já sofreram com o tráfico humano na capital paranaense, mas segundo o Frei Luiz Carlos Batista, padre agostiano e coordenador da Rede Um Grito Pela Vida do núcleo de Curitiba, todos os dias chegam pessoas traficadas no Centro da Pastoral do Migrante.

A Rede, que existe desde 2006 no Brasil e em Curitiba desde o ano passado, é um organismo da CRB Nacional (Conferência dos Religiosos do Brasil) que desenvolve inúmeros trabalhos de prevenção, denúncia  e apoio as vítimas do tráfico de pessoas, mesmo tema da Campanha da Igreja Católica desse ano. “Neste momento nossas energias e trabalhos estão todos concentrados no tema da Campanha da Fraternidade 2014. São inúmeras as atividades que estamos desenvolvendo desde o mês de janeiro: palestras em colégios, paróquias, arquidioceses do Estado do Paraná, congregações religiosas, mobilizações em locais públicos e aeroportos”, afirma o Frei Luiz.

Problema invisível

A psicóloga residente Cláudia da Silva Ribeiro, 38 anos, trabalha no Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas no Estado do Paraná, órgão que tem a responsabilidade de acompanhar a vítima e a ajudar a se reinserir na sociedade sem sequelas psíquicas, por meio de acompanhamento psicológico e jurídico. Para a psicóloga, esse tipo de campanha ajuda muito na luta contra o tráfico pelo fato da invisibilidade do assunto, a sociedade tem uma certa descrença que esse problema realmente ocorra. “Em 2012, foram contabilizados 475 casos de tráfico humano no Brasil, mas mesmo assim a sociedade acredita que esse problema não existe. Quanto mais invisível o crime, melhor para o traficante”, afirma Ribeiro.

DENUNCIE

Para denunciar, há o Disque 100, o Departamento de Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. A ligação pode ser anônima, e além do tráfico humano, recebe denúncias de vulnerabilidade de crianças e adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência, LGBT e pessoas em situação de rua.

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