qua 20 out 2021
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Trem Fantasma na curva do sucesso

Era 2008 quando o Trem Fantasma subiu nos trilhos da música independente curitibana com quatro integrantes – Marcos Dank, Leonardo Montenegro, Rayman Juk e Yuri Vasselai.  Começaram como todos começam: ouvindo muito, tanto o som que cada um fazia quanto o de artistas já consagrados. E, apesar de não pagar as contas de nenhum dos seus integrantes, o Trem Fantasma já trouxe muita alegria aos seus músicos e, obviamente, ao público. Em 2012, eles ganharam o 1º Klein Rock Contest, e foram custeados na produção do seu primeiro videoclipe, o Nunca Se Sabe.

O videoclipe rodou o Brasil através da MTV e outros canais que têm clipes em sua programação. Desde então a trajetória da banda desses jovens tem enfrentado dificuldades em produzir, e principalmente, fazer shows. A cada período um deles estavam fora do país (atualmente Rayman Juk está na Espanha). Apesar disso eles alimentam a esperança de um dia poder viver apenas do Trem Fantasma. Entrevistamos dois dos seus integrantes, Marcos Dank (voz, guitarra e baixo) e Leonardo Montenegro (guitarra e backing vocals). A conversa completa você confere abaixo:

Jornal Comunicação: O que aconteceu com o Trem Fantasma depois do lançamento do clipe Nunca se Sabe em 2012? Teve a veiculação do clipe na MTV, mas depois desse período de 2012 para cá o que aconteceu com a banda?

Marcos Dank: Bem, sempre algum dos integrantes estava viajando. O que aconteceu foi que a gente ficou um pouco parado. Primeiro o Yuri foi para Irlanda, ficou um ano, depois o Leonardo foi para Portugal, ficou meio ano e agora o Rayman está na Espanha e fica lá até ano que vem. A gente tocou por um ano depois do lançamento do clipe e depois ficamos um pouco parados. Fizemos shows com outros integrantes, emprestados, mas ficamos meio estacionados.

JC: A entrada desses novos integrantes muda o som, muda a cara da banda?

MD: Eles não chegaram a entrar na banda, tocaram em alguns shows, mas com certeza. Em cada show cada músico tem seu estilo de tocar. Então mesmo que o cara tente tirar o negócio igual, não tem a mesma pegada, mas isso não é uma coisa ruim. É legal que a pessoa dê a cara dele para o som.

JC: Qual é a cara do Trem Fantasma, vocês têm uma sonoridade que possamos ouvir e dizer, são vocês? Como você vê essa sonoridade do Trem Fantasma?

Leonardo Montenegro: Eu vejo ao mesmo tempo marcada por um som pesado e psicodélico. Acho que é mais ou menos isso que marca mais a banda.

JC: E sobre a perspectiva profissional de vocês com esses desencontros, como vocês estão se relacionando com isso?

MD: Então, a gente tenta manter um contato mesmo no período em que os integrantes estão fora. A gente tenta manter um contato, gravando sons novos que eles estão compondo, compondo aqui, pela internet. Mas não é a mesma coisa. A perspectiva é o projeto do Mecenato que estamos agora, pela Fundação Cultural (de Curitiba). Estamos com ele em andamento. A gente tem um prazo, até abril de 2016, para finalizar isso. A gente tem um tempo ainda, o Rayman volta ano que vem, vamos lançar nosso primeiro disco que não saiu ainda. Faz tempo que a gente está nessa saga.

JC: O projeto do Mecenato é para o lançamento do disco? Vocês estão na fase de captação de recursos?

MD: É para o lançamento do disco, dois clipes e acho que são 4 ou 6 shows de lançamento.  Estamos na fase de captação. A gente contratou uma empresa para fazer isso, então estamos mais tranquilos.

JC: Esse projeto vai ajudar vocês  a “pagar as contas”? O Trem Fantasma paga as contas?

MD: (Risos) Vai ajudar a pagar as contas do disco. Só isso. Espero que depois do lançamento a gente consiga mais shows, então aí sim. A gente pensa pra frente.

JC: A visibilidade proporcionada pela MTV não os ajudou a conseguir mais shows e apresentações e a fortalecer profissionalmente nesse sentido?

MD: Ajudou, com certeza. Tanto na MTV quanto em outros canais que passou (o clipe). Passou naquele BRZ, que era um canal também da MTV, um canal só de clipes. Teve outras canais que passaram o clipe, mas agora não lembro de cabeça. Pessoas importantes do rock viram a gente. O próprio Cachorro Grande, viramos amigos deles, o Roger, do Ultraje (a Rigor). Querendo ou não tem muita gente que segue essas pessoas, e outras acabaram nos conhecendo pelos canais ou por essas pessoas, e, enfim, ajudou muito, com certeza.

JC: O que o público pode esperar do Trem Fantasma?

LM: Acho que nós pretendemos voltar a tocar somente quando tivermos bastante material novo e possivelmente lançar o disco no ano que vem.

JC: Com relação à contribuição da academia para a composição do som de vocês, quantos de vocês têm formação acadêmica na área de música?

MD: Eu e o Leonardo. É interessante quando a gente não consegue compor sem essa válvula, pensar na teoria e tudo, a gente acaba indo para esse lado, mas eu acho que tem que ter um meio termo, não dá para ficar pensando sempre na teoria, senão a música vira um negócio racional. Muito pensado não é legal. Na hora de compor acredito que você deve ir mais no feeling mesmo. Mas e então se não consegue achar tal acorde você vai apelar para a teoria, mas não gosto de compor assim, sabe? Na parte da composição acho que não é legal. Talvez na parte de arranjo, aí sim, aí já é uma parte bem interessante.

JC: Pensando agora a questão da produção musical, depois que os músicos conseguiram independência da produção diante das gravadoras, principalmente nos anos 80, aliada à abertura da internet, como se produz hoje música independente, o que significa ser um músico independente?

LM: Bom, uma coisa não tanto pelas gravadoras, mas pela questão da internet, que acontece bastante, são os músicos não prensarem mais suas produções em discos físicos. Então a internet se tornou a principal ferramenta de divulgação, os próprios músicos fazendo isso, e outra coisa muito importante é o som que a tecnologia possibilita gravar fora do estúdio, que, para mim, pelo menos, é uma coisa bem presente.

JC: Eu quero saber agora quais são as influências de vocês. Quais são os compositores que mais influenciam o som da banda?

MD: George Harrison, Paul McCartney, John Lennon, os três, não tem como. Aí tem  Neil Young, Arnaldo Baptista, Sergio Baptista, Giovanni Caruso, aqui de Curitiba, Ivo Rodrigues, Leminski.

LM: De coisas mais atuais somos bem marcados pelo Tame Impala, além do Pong. E várias coisas antigas também, Beatles, Mutantes, Pink Floyd, e algumas outras coisas tipo Cream. (Nossa influência) é uma mistura de coisas mais antigas com coisas mais atuais. Agora estamos buscando coisas mais novas.

JC: Para encerrar, qual é a maior ambição do Trem Fantasma e o maior receio?

MD: Eu acho que o receio é que a banda termine, mas a nossa ambição é continuar fazendo o som que a gente quer, a gente não tem grandes ambições. Muito legal se nosso som for reconhecido nacionalmente assim, mas o nosso anseio é tocar o som que a gente quer sem pensar em nenhum rótulo, do tipo querer se parecer com alguém, ou tal coisa. A gente ouve as coisas e automaticamente se influencia por isso, uma coisa natural, então nós não temos aquela coisa, “ah, quero parecer com Floyd”, se parecer vai ser uma coisa natural.

LM: A maior ambição seria a gente realmente ter isso como coisa principal da nossa vida. Pudesse viver só disso, fazendo turnês. E receio, eu acredito que é não ter mais para onde crescer. Principalmente em Curitiba.

Vocês podem acessar a página do SoundCloud da banda, onde é possível conhecer mais da sonoridade deles, além de ouvir o EP, de 2010, e o único single produzido após o lançamento do videoclipe de Nunca Se Sabe – o Casmurro.

https://soundcloud.com/tremfantasma/casmurro

 

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