seg 18 out 2021
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Vinada Cultural reúne mais de 17 mil pessoas no Passeio Público

Além dos cachorros quentes a Vinada trouxe também apresentações artísticas. (Foto: Bruno Vieira)

Com mais barracas de cachorro quente, campeonato de pedalinho, apresentações musicais e teatrais, a segunda edição da Vinada Cultural lotou, mais uma vez, o Passeio Público. O evento teve a primeira edição em 2013 e faz parte do “Ocupe o Passeio”, projeto apoiado pela Gazeta do Povo e que busca revitalizar o tradicional parque curitibano. O objetivo esse ano era aparar as arestas da edição passada, quase todas relacionadas à questões estruturais.

Deisi Campos, editora da revista Bom Gourmet, é a idealizadora da Vinada e conta que a proposta surgiu como um trocadilho relacionado a “Virada Cultural”. “A gente resolveu unir a história da vina, algo tão característico da cultura curitibana, com o Ocupe o Passeio”, diz. Segundo Deisi, a edição passada teve em torno de 17 mil pessoas e esse ano era esperado um público ainda maior. “Cada barraca foi preparada para servir ao menos 1,5 mil cachorros quentes”.

Mas, de acordo com Deisi, as melhorias não param por aí. “Em cada uma das regiões do passeio em que tinha uma barraca de cachorro quente havia também um caixa para a compra de fichas”, afirma. Além disso, as barracas foram agrupadas em diferentes áreas do parque para que houvesse menos aglomeração e mais conforto nas filas.

“Esse ano a estrutura é um pouco maior e o aumento de espaço facilitou nosso trabalho”, comenta Cristiano Batista Jesus. Cristiano é dono da requisitada barraca Yracema – destaque também na última vinada – fundada em 1983 atendendo na rua e que hoje possui quatro lojas físicas. “É interessante como nós, dogueiros, temos uma união, assim como outras classes trabalhadoras”, diz Cristiano, sobre a proposta da Vinada. A Vinada também serve como espaço de divulgação e valorização do trabalho desses profissionais, como ressalta Rafael Schreiber, dono da Don’t Stop Hot Dog. “Aqui o pessoal pode ver o nosso trabalho com outros olhos, porque às vezes nós não ganhamos reconhecimento”.

Filas de novo

A espera na fila passava de 1h30 em algumas barracas. (Foto: Bruno Vieira)

Apesar das mudanças prometidas, os visitantes continuaram reclamando do longo tempo de espera nas filas das barracas. Caio Fernandes e Ana Caroline Chimenez foram ao evento no ano passado e dizem não sentir tanto as melhorias defendidas pela organização. “A gente gastou duas horas em fila hoje, isso continua igual”, comenta Ana Caroline. O casal valoriza o fato de haver ao menos uma tentativa de melhorar o evento, mas mesmo assim apontam como principal falha a aglomeração e falta de organização das filas.

Proposta x Dificuldades

O cachorro quente não foi o único atrativo para comparecer à Vinada, já que também o convívio no espaço com muitas pessoas diferentes é atrativo, como ressalta Caio. Tanto ele quanto Ana Caroline não costumam frequentar o Passeio Público. Ele por morar longe e ela por se sentir incomodada e desconfortável em atravessar o parque, devido à falta de segurança do local no dia a dia.

Segundo eles, é necessário que essas ações aconteçam mais vezes para que o projeto dê certo.“Se busca ocupar o lugar em algumas datas do ano, o que é muito pouco, acho que isso devia ser rediscutido de maneira mais profunda, mas não deixa de ser uma tentativa”, pondera Caio. Ana Caroline compara também essas medidas com a revitalização da rua Riachuelo, que mesmo requalificada continuou com os mesmos problemas de antes.

Houve também quem elogiasse a organização do evento. Álvaro Lambach e Amanda Ferraz  não participaram da edição do ano passado, mas gostaram bastante da estrutura e a escolha do local da Vinada. “O evento ficou bem bacana aqui, bem localizado, porque as pessoas quase não frequentam mais o passeio público, por isso é bom para revitalizar o lugar”, comenta Amanda. “No dia a dia é mais difícil frequentar aqui, é mais perigoso, mas hoje o ambiente está bem familiar”, completa.

Porque ocupar o passeio?

O Passeio Público é o parque mais antigo de Curitiba. Inaugurado em 1886, por Alfredo D’Estragnolle Taunay, então presidente da Província do Paraná, o parque foi construído em uma área alagadiça que era foco de doenças, como forma de resolver esse problema. Foi por algum tempo o Jardim Botânico de Curitiba e a primeira sede do zoológico da cidade, mantendo até hoje alguns animais em cativeiro.

O local, que durante muito tempo foi ponto de encontro das famílias curitibanas, foi sendo abandonado ao longo dos anos e virou foco de atividades como a prostituição. Para quebrar esse estigma de violência e abandono, foi criado nas redes sociais o movimento Ocupe o Passeio. Esse projeto é apoiado pela Gazeta do Povo e se alia com o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). Através de reformas físicas como aumento de restaurantes dentro do passeio, construção de ciclovias e pistas de caminhada, espaços para crianças e promoção de atividades culturais, visa-se reaproximar o curitibano desse espaço histórico da cidade.

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