sáb 23 out 2021
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Visitas com bicicleta na Bienal de Curitiba propõem novo olhar sobre a cidade

Dentro do propósito de levar arte a um público não usual, o evento traz, pela segunda vez, a opção de roteiros guiados por van, a pé ou de bicicleta. Disponíveis aos finais de semana, os roteiros têm inscrição gratuita pelo site da Bienal. A ideia é que os participantes desenvolvam um novo olhar sobre a cidade, diferente do que se tem de dentro das janelas de um carro. Desde o dia 31 de agosto até 1º de dezembro, a população terá acesso a exposições e intervenções espalhadas por 100 espaços curitibanos.

Para o diretor geral da Bienal Luiz Ernesto Pereira os 20 anos de existência do evento são importantes na formação de público e no processo de democratização cultural, pois utiliza inúmeros locais da cidade e não cobra ingressos. “Nossa estimativa é de um público de 1,1 milhão de pessoas, que terão contato com o melhor da arte contemporânea mundial”, afirma.

A produção paranaense marca presença na Bienal de 2013 nas artes visuais, nas performances e na curadoria de literatura. De acordo com Pereira, por ter visibilidade nacional e internacional, o evento cria um ciclo de disseminação e valorização das obras daqui. “Ter nomes paranaenses entre os selecionados divulga o que é feito no estado e gera interesse de público e crítica pelos artistas locais”, explica o diretor geral. Ao todo, obras de 150 artistas, de todos os continentes, foram escolhidas pelos curadores através do critério de contemporaneidade e qualidade.

Pedalando na Bienal

Na visão de Pereira, as visitas a espaços culturais da cidade feitas com meios alternativos ao automóvel podem fazer da arte um impulso para uma nova perspectiva de mobilidade urbana. “Estamos atentos às iniciativas de transporte alternativo e não-poluente. Fazemos questão de incentivar essas práticas, a fim de termos um espaço urbano mais agradável e organizado”, diz.
Para a visita sobre duas rodas, são disponibilizadas bicicletas aos participantes, sem custo. O primeiro roteiro, oferecido no último sábado (14), teve poucos adeptos apesar do grande número de inscritos. O ponto de partida foi uma bicicletaria no centro da cidade, que participa da iniciativa desde a última edição, em 2011.
Fernando Rosenbaum, dono da bicicletaria e guia do passeio, afirma que a bicicleta é eficiente como meio de sentir a cidade e apreender os fluxos urbanos. Para ele, entretanto, trata-se de uma atividade destinada mais aos amantes da magrela do que aos interessados por arte. “Temos participantes de todo tipo, mas como não há tempo suficiente para observar com cuidado as obras, o roteiro contempla mais quem gosta de bicicleta”, comenta Rosenbaum.

No Centro Cultural Sistema Fiep, a obra da artista alemã Katharina Groose

Portas fechadas

Com duração aproximada de duas horas, o roteiro prevê a passagem por sete espaços da cidade: o Museu de Arte da UFPR (MusA), a Rua XV de novembro, o Paço da Liberdade, a Secretaria de Estado da Cultura, o Centro Cultural Sistema Fiep, a Av. Cândido de Abreu e a Prefeitura de Curitiba. Na prática, contudo, as paradas são outras. Na maior parte delas, o visitante encontra portas fechadas, pois os museus não abrem durante os finais de semana. Os únicos espaços visitados foram o Solar do Barão, que não estava no roteiro, e o Centro Cultural Sistema Fiep.
Apesar da desorganização, Fernanda Caldeira, estudante de ciências sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), gostou do passeio. “É minha primeira vez em Curitiba e foi uma oportunidade para conhecer a cidade andando de bicicleta”, conta.
Para quem já se locomove com meios alternativos, a iniciativa da Bienal não tem o potencial de criar novos usuários da bicicleta como transporte urbano. “Não é uma coisa pontual que vai fazer a diferença. Acho que só incentiva se a pessoa já tem vontade”, opina Ana Cecília de Mello, bióloga que apresentou à amiga Fernanda a possibilidade do roteiro de bicicleta. Ana usa a magrela para se locomover, pedalando aproximadamente duas horas por dia. Por outro lado, para ela a Bienal é uma forma de aproximar as pessoas da arte. “Alguma curiosidade vai gerar”, conclui.

Serviço
As visitas guiadas ocorrem em três modalidades, em todos os finais de semana até o término do evento. Confira os dias e horários:

– Bienal de Bicicleta – sábado às 15h e domingo às 10h;
– Bienal a pé – sábado às 10h;
– Bienal de van – domingo às 15h.

As inscrições devem ser feitas pelo site www.bienaldecuritiba.com.br, que traz mais informações sobre os roteiros.

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