seg 27 jul 2026
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Teatro para infantojvenil: Companhia Sol-te preenche lacuna com sensibilidade e inclusão

Com foco em temáticas como racialidade, crises contemporâneas e a geração Z, o grupo curitibano utiliza a criação horizontal para dialogar com públicos que fogem dos estereótipos tradicionais.

A Companhia Sol-te, fundada pelos artistas Mariana Mello e Nathan Milléo Gualda, consolidou-se em 2020 com o objetivo de levar projetos autorais ao mundo, focando em um público muitas vezes negligenciado: crianças e adolescentes. O grupo, que participa do Festival
de Curitiba, aposta em um teatro que respeita o espectador e aborda temas urgentes da contemporaneidade com profundidade e cuidado visual.


O olhar para a adolescência e a geração Z


O espetáculo de estreia da companhia, “Juventude”, nasceu do desejo de contemplar o público adolescente, uma faixa etária para a qual é difícil encontrar produtos culturais que fujam de estereótipos. A peça atravessa a trajetória de um jovem e aborda conflitos reais da Geração Z, como as crises climáticas, a pressão social por produtividade, o impacto das redes sociais e a busca incessante pela fama.

Para Mariana Mello, o interesse por esse nicho surgiu da necessidade de tratar o jovem em toda a sua complexidade. Nathan Milléo Gualda complementa que a montagem se comunica de forma dinâmica, incorporando elementos atuais para manter o espetáculo vivo e conectado com o cotidiano dessa plateia.


“Brio Breu”: racialidade, inclusão e alteridade na infância


Expandindo sua pesquisa para o teatro infantil, a companhia criou “Brio Breu”, espetáculo que estreou em 2023. A trama central foca em dois irmãos e discute a alteridade, o medo do desconhecido e a aceitação das diferenças. Além da questão racial, a peça aborda temas como
a importância da ciência, o negacionismo e a imigração.

Um dos grandes destaques desta montagem é a busca por representatividade orgânica. O elenco conta com a atriz Pietra Silvestre, que possui síndrome de Down, autismo e deficiência auditiva. Mariana Mello enfatiza que Pietra não está em cena apenas para falar sobre deficiência, mas para humanizar a narrativa: “A inclusão tem que se tratar disso, a gente poder realmente estar e conviver com as pessoas em todas as suas diversidades sem que necessariamente o nosso único ponto de comunicação seja a deficiência ou a raça”.


Processo criativo e manutenção de repertório


A Sol-te diferencia-se por um modelo de criação horizontal, onde toda a equipe artística — incluindo iluminadores e cenógrafos — atua como co-criadora propositiva durante os ensaios. Essa colaboração reflete o desejo de manter as obras em repertório constante, garantindo que
os espetáculos continuem circulando e amadurecendo mesmo após os períodos formais de editais.

De acordo com os fundadores, o objetivo final é sempre a conexão humana. “A gente não pode isentar as crianças dessas discussões, a gente tem que começar com elas”, afirma Mariana Mello, reforçando que o teatro da Sol-te busca ser acessível a todos, independentemente do nível de conhecimento prévio sobre a linguagem teatral.

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