sex 22 out 2021
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Arte em palcos alternativos

Peças na boate Cats ( à esquerda) e bar Gato Preto (à direita) conquistam novos públicos para o Festival.

Um banquinho e uma escadinha no segundo piso da Cats Club. Um cenário simplista criado para o desenrolar de uma peça que surpreende pelo palco escolhido. O Festival de Teatro de Curitiba, nessa edição de 2013, ampliou os locais de apresentações e trouxe inusitados tablados.

Os espetáculos O mundo maravilhoso da Cats Club e Uma história radicalmente condensada da vida pós industrial – apresentada no tradicional bar Gato Preto nos dias 29 e 30 de março – repercutiram por integrar espaços inovadores no calendário do evento. O Gato Preto é conhecido por ter um público formado por homens à procura de garotas de programa. Já a Cats é famosa por suas noites com shows alternativos que atraem mais o segmento LGBTTTS.

Amanda Lyra é atriz na segunda peça: “Queríamos um lugar com história na cidade. Um lugar que fosse tradicional, mas que tivesse um ar decadente”. Para o staff da peça, a realidade do lugar se mistura inúmeras vezes com a história que eles contam. A atriz revela, ainda, que a mistura do habitual público da casa com o público do festival em si enriqueceu o enredo e as interferências performáticas. Esses aspectos foram responsáveis pela lotação das duas sessões com, inclusive, gente ficando para fora.

Na Cats, tudo surgiu com o interesse em conquistar um público diferente pelos donos da casa. Eles procuraram o diretor da peça, Treat Serpa, que já tinha um esboço da comédia. Uma balada com um palco que já abrigara outros shows, alguns banquinhos, bons atores e uma escadinha foram suficientes para cativar uma plateia que, mesmo em pé durante os 50 minutos de espetáculo, ajudaram a desconstruir o preconceito em torno da boate.

Os atores Victor Muzza e Mathew (nomes artísticos) dividiram o palco e o papel de protagonista na peça que revela as escolhas de um jovem homossexual. Um enredo que, através da comédia, mistura as perspectivas de um personagem narrando suas escolhas quando mais novo. Aceitação da sua orientação sexual, primeiras descobertas sexuais, atração sentimental por pessoas do mesmo gênero e problemas familiares são aspectos abordados na peça, seguindo uma linha de comédia clichê.

Bem acolhidos pela casa – e pelo público – os artistas gostaram da experiência, e pretendem voltar a se apresentar nesse tipo de ambiente: “Era como se durante a peça, o preconceito não existisse”, afirmaram.

Mathew apontou para o aspecto de muitas pessoas confundirem o ambiente, alegando que o Festival está levando a arte para lá. Ele afirma que, na verdade, arte está sempre na balada, e o evento só ganha em adicioná-la à programação. Eles brincam, ainda, com a ideia de o Festival abrir uma categoria específica para locais alternativos. Se depender do público alvo, a ideia está mais do que aprovada…

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