seg 18 out 2021
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Curitiba recebe primeira edição da Festa Literária das Periferias

O anfiteatro Peça por Peça, do Colégio Municipal Professora América da Costa Saboia, localizado na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), recebeu a primeira edição da Festa Literária das Periferias (Flupp), evento que busca levar discussões relacionadas a literatura às regiões periféricas de cidades brasileiras.

O projeto surgiu em 2012, nas comunidades pacificadas do Rio de Janeiro, com o nome de “Festa Literária das UPPs”. Rebatizada, a Flupp ganhou um novo fôlego em 2014 com a Copa do Mundo. O mundial serviu como gancho para expandir a ideia do evento para outras capitais do Brasil. Além de Curitiba e Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador também recebem a festa literária.

 

Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro devem receber o evento nas próximas semanas (Foto: Elisângela Leite)

Na capital paranaense, o evento, que contou com o apoio da Secretaria Municipal de Educação e da Fundação Cultural de Curitiba, aconteceu na Vila Verde, nos dias 25 e 26 de abril, com palestras e debates ao longo do dia.

Participaram escritores de Curitiba ou radicados na cidade, como Cristovão Tezza e Luci Collin, e autores de países que disputarão a Copa do Mundo, como o mexicano Juan Pablo Villalobos e o iraniano Mohsen Emadi.

A obra de quatro grandes pensadores brasileiros foi debatida durante o encontro: Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda, Mário de Andrade e Darcy Ribeiro. Em todas as mesas e palestras, de acordo com a organização, compareceu um público de pelo menos 50 pessoas.

Perspectivas para uma segunda edição

Silmara Campese é coordenadora do projeto “Jornal Extra, Extra!”, um periódico escrito por alunos da rede municipal de ensino. Ela, que participou do projeto com um grupo de estudantes do nível fundamental, vê com otimismo a proposta do evento. “Acho que a Flupp poderia ser feita também em diferentes regionais a níveis municipais”, opinou.

A coordenadora do programa “Leituras” da Secretária Municipal de Educação, Margareth Fuchs, também aposta nas próximas edições. “Como essa foi a primeira, a comunidade teve uma participação um pouco tímida, mas acredito numa adesão maior futuramente”, afirmou.

Júlio Ludemir, um dos idealizadores da Festa Literária das Periferias, conta que a principal ideia do evento é contribuir com a universalização do direito à leitura. Para ele, a primeira edição serviu como um “primeiro mergulho”, para que futuramente possa ser feito algo de acordo com as necessidades e interesses da comunidade. “Imagino que a gente tenha se legitimado para realizar um evento mais robusto numa possível segunda edição”, disse.

Brasil ainda lê pouco

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2012 pelo Instituto Pró-livro e pelo Ibope Inteligência, indica que 28% da população brasileira com mais de 5 anos tem o hábito de ler jornais, revistas, livros e/ou textos na Internet no tempo livre.

A mesma pesquisa mostra que, entre as obras mais lidas, estão best-sellers como Crepúsculo e livros religiosos como a Bíblia. Nesse sentido, o escritor mexicano Juan Pablo Villa Lobos enxerga semelhanças entre seu país e o Brasil. “No México, há poucos leitores e livros muito vendidos são os best-sellers internacionais ou do gênero de autoajuda. Isso é um problema geral da América Latina”, contou durante um bate-papo da Festa Literária.

Para a escritora e professora do Curso de Letras da UFPR, Luci Collin, eventos como a Flupp funcionam como grandes fóruns. Ela vê com otimismo o futuro da população leitora no Brasil. “A literatura foi tomada como algo para a elite, mas essa visão está se dissolvendo aos poucos. Com a internet, hoje a gente tem uma juventude que quer muito aprender”, disse – dando como exemplo o grupo de repórteres-mirins do Jornal Extra, Extra! que a cercaram para uma sabatina, logo após a mesa-redonda da qual participou.

O Brasil, ainda de acordo com a pesquisa Retratos da Leitura, tem uma “penetração de leitura” de 50% entre seus habitantes. Isso significa que metade da população leu pelo menos um livro nos últimos três meses. Segundo Ludemir, “o fato do livro como objeto não ter chegado na Vila Verde, por exemplo, fala muito mais de uma limitação das ‘elites brancas’, do que do desejo de conhecimento e participação e de inserção no mundo das camadas populares”.

Flupp Brasil

Salvador – 9 e 10 de Maio

São Paulo – 23 e 24 de Maio

Rio de Janeiro – 6 e 7 de Junho

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