ter 30 nov 2021
HomeDestaquesDúvidas sobre manutenção de auxílios gera insegurança em estudantes

Dúvidas sobre manutenção de auxílios gera insegurança em estudantes

Na segunda reportagem sobre problemas que estudantes da UFPR enfrentam durante a pandemia, graduandos explicam como dúvidas sobre benefícios da PRAE geram insegurança no dia a dia

A Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) é a responsável pela coordenação dos auxílios oferecidos pela Universidade Federal do Paraná, através do Programa de Benefícios Econômicos para Manutenção aos Estudantes de Graduação e Ensino Profissionalizante da UFPR (PROBEM). O objetivo do programa é garantir a segurança e condições básicas para que os alunos possam se dedicar à vida acadêmica. Os principais auxílios oferecidos são: moradia, permanência, refeição e creche. A sede se localiza em Curitiba e é responsável pela coordenação de todo o programa. 

Em meio aos desafios da educação a distância, estudantes reclamam de falta de auxílio pedagógico e social durante pandemia. A PRAE, por outro lado, busca desenvovler ações para mitigar as dificuldades. Entre elas está o plano de empréstimo de laptops foi ampliado e um programa de oferecimento de chips de dados móveis foi implementado. A pró-reitoria é responsável por todo o corpo estudantil da Universidade, por isso a demanda é alta. Contudo, os profissionais garantem que fazem o que podem para atender os alunos da melhor forma.

O relato de Mariana Souza, estudante de Jornalismo da UFPR e beneficiária do PROBEM, revela um sentimento compartilhado pelos alunos que dependem dos auxílios para permanecer na Universidade. 

De acordo com o coordenador de assistência estudantil da PRAE, Fernando Sureck Leal, são 4 mil estudantes contemplados com bolsas em todos os campi da Universidade. Mariana sente que o período entre a publicação do edital e o resultado final é o pior: “Nos sentimos um pouco à deriva.” Segundo ela, esse sentimento é universal, considerando a importância das bolsas.

Para Alessandra Maria Reis, estudante da UFPR desde 2015, os auxílios permanência, refeição e moradia foram fundamentais para que ela continuasse estudando. Mais tarde, quando decidiu trocar de curso (de Engenharia Florestal para Agronomia), a PRAE garantiu que seus auxílios não fossem suspensos: “Quando troquei de curso, consegui não perder os auxílios. Eu fiz o Provar, por isso foi possível. Quando eu fiz a prova, a PRAE conseguiu fazer essa troca, mas quando é por vestibular não tem como”.

O Provar é uma prova realizada pelos alunos interessados em trocar de curso dentro da instituição. Como o aluno já foi aprovado pelo vestibular, ele é avaliado a partir de questões específicas sobre o curso que pretende cursar.

Desde novembro de 2020, Mariana e Alessandra foram contempladas com um chip de dados móveis para acompanharem as aulas remotamente. Durante a suspensão das atividades presenciais, a PRAE também passou a trabalhar remotamente. Antes, o contato com a pró-reitoria era realizado por telefone ou pessoalmente. Agora, a comunicação é exclusivamente por e-mail. 

Alessandra conta que os problemas com a PRAE não são muito comuns. De acordo com a estudante eles são mais exigentes com quem não segue as recomendações a risca (Foto: Arquivo Pessoal)

Para Mariana, essa mudança destacou uma limitação comunicacional já existente: “A dificuldade com a PRAE existe quando há algum problema com a sua bolsa e você precisa de outra informação. Eu acho difícil a comunicação com eles.” Ela destaca: “Para se inscrever no auxílio, descobrir e entender melhor como funciona, é fácil encontrar as informações”. Segundo ela, os editais são claros, a dificuldade está na resolução dos problemas. Os alunos precisam ser insistentes e se não sabem como fazer isso, ficam sem as informações que precisam. 

Novos estudantes

Para os recém-chegados na instituição, o contato com a organização é mais direto, por meio de palestras na semana do calouro de cada departamento. O calouro de Jornalismo Eric Rodrigues de Lima considera a apresentação importante e completa: “Eles apresentaram todos os programas e deram oportunidades para tirar dúvidas.” Mesmo assim, para Eric, o diálogo com os veteranos que já utilizam os benefícios foi esclarecedor, uma vez que o edital do PROBEM inclui as inscrições para todos os auxílios. Eric se confundiu por causa da quantidade de informações e perdeu o prazo para o envio da documentação. 

Eric descreve o atendimento da PRAE como “Muito mais do que humanizado”. Segundo ele, durante a apresentação na semana do calouro, setor reforçou importância dos alunos irem atrás de direitos (Foto: Arquivo Pessoal

A PRAE coordena também a Unidade de Atendimento Psicossocial (UAPS), responsável por acolhimento psicológico e atendimento pedagógico. Mariana imaginava que a consulta pudesse abranger tópicos gerais de sua vida, mas se decepcionou: “Eu procurei os psicólogos da PRAE, mas eles só atendem quando são questões relacionadas à faculdade. A minha questão não era com a faculdade. Eu tinha problemas familiares, então a psicóloga virou para mim e falou que eu nunca tinha estado melhor. Eu fiquei sem entender, porque eu estava ótima na faculdade, mas e na vida? Eu detestei e falei que nunca mais ia na psicóloga da PRAE”. 

A chefe da Unidade de Atendimento Psicossocial da PRAE, Gabriela Reyes, esclarece que o serviço oferecido não se trata de psicoterapia. Na realidade, é um direcionamento psicopedagógico que já incluiu rodas de conversa, como fala Alessandra: “Eles faziam rodas de conversa com a galera até 2020, só que precisava de uma capacitação das pessoas da PRAE”. O projeto continua de forma remota durante a pandemia. Outras sugestões dos alunos, com o intuito de superar essas dificuldades, são atendimento por WhatsApp e postagens nas redes sociais, destacando os principais pontos dos editais.

NOTÍCIAS RELACIONADAS