qui 21 out 2021
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Embrapa deve iniciar estudos de clonagem de animais silvestres em 2013

Embrapa poderá clonar de onças à lobos da fauna brasileira para evitar que novos animais sejam capturados da selva. Fonte: AMDA

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) deve começar os ensaios para a clonagem de animais silvestres já no início do ano que vem. Os clones de lobos-guará, onças-pintadas e outros animais que estão sofrendo diminuição em suas populações serão direcionados aos zoológicos, evitando assim que novos espécimes sejam recolhidos na natureza. Essa fase de preparação ficará limitada apenas na transferência de núcleos celulares e na realização estudos com células embrionárias.

Segundo o médico veterinário e pesquisador responsável polo projeto de clonagem de animais silvestres na Embrapa, Carlos Frederico Martins, o que está sendo iniciado é um estudo de biotecnologia da reprodução dos animais selvagens com o objetivo final de clonagem. “A Embrapa já trabalha com a clonagem de bovinos, mas esse projeto é muito diferente. Temos que fazer adaptações no processo. Não podemos afirmar se vamos conseguir ou não”, explica o pesquisador.

As taxas de sucesso na clonagem bovina realizada na Embrapa ficam entre 5% e 7%, o que, segundo Carlos Frederico Martins, são baixas. “A clonagem já é um processo pouco eficiente, e com as animais silvestres prevemos ainda mais dificuldades”, confessa.

Os clones não vão andar pela mata

O projeto é uma parceria entre a Embrapa Cerrados e o Zoológico de Brasília. Martins explica que o principal objetivo do programa é servir de repositório para o zoológico: “Nosso objetivo é clonar animais que estejam com populações reduzidas no ambiente e também espécies que estejam com pouco exemplares no zoológico. Vamos evitar que o zoológico retire animais da natureza e possa produzir seus próprios exemplares”.

A reposição de animais na natureza está fora de questão. “Não objetivamos a reposição na natureza. É importante frisar que a clonagem é apenas uma das ferramentas de emergência. Não se pode esquecer a questão da preservação dos habitats, que é o mais importante. É impossível salvar as espécies com a clonagem”, enfatiza o pesquisador.

A Embrapa já conta com um banco com mais de 450 amostras genéticas diferentes de animais mortos, a maioria do cerrado: “Nesse novo projeto começaremos a coletar material genético de animais vivos, de diferentes biomas e também exóticos”, conta Martins.

Sobre a preservação

O biólogo e mestre em Marcio Pie concorda que a clonagem não é realmente a melhor estratégia para preservar animais na natureza. “A redução de habitat é, de longe, a maior causadora da extinção de animais. A clonagem é apenas mais uma ferramenta para a preservação de espécies que já estejam muito reduzidas”, explica. Pie acredita que, em casos restritos, a clonagem e a manutenção de um banco de espermas são boas alternativas.

A clonagem dentro da lei

No último dia 27 foi aprovado na Comissão do Meio Ambiente o projeto de lei que regulamenta o processo de clonagem no Brasil. O texto agora seguirá para ser analisado pela Câmara dos deputados.

Segundo o pesquisador da Embrapa Carlos Frederico Martins, esse foi um passo muito importante para a clonagem no país. “Hoje o Brasil já recebe sêmen de animais clonados sem ter nenhum controle, não existe uma regulamentação. Com esse novo projeto de lei, os processos de clonagem poderão ser acompanhados e regulamentados”, explica o médico veterinário.

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