qua 20 out 2021
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Fotografias do cotidiano curitibano fazem sucesso e viram exposição

Sob uma perspectiva diferente, alguns curitibanos têm criado páginas em redes sociais que reúnem fotos da capital. Fugindo dos pontos turísticos habituais, esses perfis trazem imagens de lugares que fazem parte da rotina de muitos habitantes da cidade, mas que normalmente passam despercebidos. A maioria dos projetos recebe colaborações dos próprios seguidores, que podem enviar fotos para serem compartilhadas também.

Eduardo Aguiar, 41, é idealizador de um desses projetos. O jornalista decidiu, em 2011, fotografar Curitiba utilizando seu celular, pela praticidade, em vez de uma câmera profissional, com a qual não estava muito habituado. Eduardo seguiu perfis de fotógrafos amadores e compartilhou suas fotos na internet. Ao se mudar para o centro do município, em 2013, vendeu seu carro e começou a fazer os trajetos habituais todos a pé. Assim, ficava com as mãos livres para fotografar o que lhe chamava atenção durante o percurso.

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Foto: Eduardo Aguiar/Divulgação

O jornalista afirma que o maior desafio do projeto é fotografar sem interferir na cena, mas diz que prefere as fotos espontâneas às posadas. Ele explica que, apesar da praticidade de fotografar com o celular, existe uma desvantagem. “Se você tem uma boa câmera e uma boa objetiva, pode fotografar pessoas de longe. Com o celular não. É preciso se aproximar muito para obter uma fotografia razoável tecnicamente. Mas é possível, e muitas vezes o resultado é impressionante”, diz.

Por sugestão do amigo Rodrigo Apolloni, Aguiar resolveu expor suas fotos em uma galeria pela primeira vez. Foram selecionadas 37 imagens das 120 do projeto, que estão na Galeria Teix. A mostra leva o nome de Passagens, que, segundo ele, coincidiu com o nome do livro do francês Walter Benjamin, que retratou Paris e seu povo. O jornalista comenta a visão peculiar de Benjamin sobre as cidades e a relaciona com seu próprio projeto. “Lembramos de um trecho no qual ele diz que ‘saber se orientar numa cidade não significa muito, mas saber se perder requer instrução’. E é isso: às vezes me perco atrás de um personagem ou uma cena qualquer, e quando percebo estou tomando o caminho contrário ao meu destino original”, explica.

Além da mostra Passagens, existem outros projetos fotográficos curitibanos tomando forma, como o Curitiba Cool, Cena Curitiba e Curitibanices. O primeiro é mantido pela pesquisadora de tendências Mariana Smolka, 27, que, além de publicar fotos de autoria própria, recebe em média 60 fotos por dia dos mais de 26 mil seguidores e compartilha as melhores. Ela conta que o Curitiba Cool surgiu como uma pesquisa de novas tendências na cidade, que não conseguiria realizar sozinha. Então teve a ideia de criar uma página na internet, para a qual as pessoas pudessem mandar fotos que revelassem possíveis tendências em Curitiba.

Para Mariana, a grande participação dos seguidores se deve à identificação dos moradores com a própria cidade, além da facilidade de envio das fotos. Ela explica que qualquer pessoa pode ajudar no projeto e expor algo da cidade que tenha chamado sua atenção. “Ninguém precisa ser fotógrafo profissional ou entendido de fotografia. Cada um contribui da maneira que vê a cidade. Cada um mostra qual é a sua Curitiba, que é a cidade de todo dia, do caminho pra casa, trabalho, escola e lazer”, explica.

Serviço

Passagens – Eduardo Aguiar

Período de exposição: 5 de março a 4 de abril

Local: Galeria Teix (Av. Vicente Machado, 666 – Curitiba)

Mais informações: (41) 3018-2732

Entrada franca

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