qui 29 set 2022
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Internamento de crianças em Curitiba aumentou 41% em relação ao ano passado

As doenças respiratórias têm voltado com força no outono e são as principais causadoras do quadro atual

De acordo com dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Curitiba, houve um aumento de 41% no número de internamentos pediátricos no último mês de março, em comparação ao mesmo período do ano passado. Apenas pelo SUS, foram registrados 1.961 casos de internamento de crianças de 0 a 9 anos em março de 2022. A principal causa disso é o aumento de doenças respiratórias.

A SMS afirma que o quadro já era esperado pelos especialistas com a chegada do outono e do inverno. “Habitualmente, todos os anos as doenças respiratórias aumentam nesse período”, relata o diretor do Centro de Epidemiologia da SMS, Alcides Oliveira.

Porém, apesar de ocorrer todo ano, o aumento dessas doenças aconteceu de forma mais expressiva nos últimos meses, assustando os profissionais da área. Segundo a pneumopediatra do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Débora Karla Silva, os especialistas acreditam que essa alta é consequência do longo período que as crianças passaram em casa durante os últimos dois anos de pandemia, além da época do ano que é propícia para a proliferação de doenças respiratórias.

Com o retorno às escolas e creches, as crianças voltam a se aglomerar e são expostas a uma série de vírus com os quais elas quase não tiveram contato durante dois anos. Isso, junto com as mudanças de estações, contribui para que as doenças respiratórias dos pequenos voltem com força.

Consequências das doenças respiratórias

De acordo com Silva, existe um grande grupo de doenças respiratórias, algumas mais simples, como por exemplo os resfriados, que infeccionam as vias aéreas superiores e podem, dependendo da situação da criança, evoluir para infecções bacterianas como sinusites e otites.

Entretanto, a especialista afirma que os casos mais preocupantes são aqueles que afetam o pulmão. “Quando as doenças respiratórias atingem os pulmões, elas costumam ser mais graves, especialmente nas crianças de risco”, diz a pneumopediatra.

Dentre esses casos, a médica cita como exemplo crises de asma mais graves, bronquiolites, que atingem principalmente bebês de risco – prematuros, com doenças no coração ou com baixo peso – e pneumonia, que afeta especialmente crianças abaixo de dois anos de idade.

Alcides Oliveira lamenta a ocorrência de um caso de morte de criança causada por doença respiratória nos últimos meses em Curitiba. “Lamentavelmente, as crianças de baixa idade, principalmente aquelas menores de um ano, fazem quadro mais severo da doença respiratória, a conhecida bronquiolite, que é em decorrência de uma infecção viral. Essa infecção complica com outras doenças, principalmente bacterianas, leva ao internamento ou ao agravamento e morte”, relata.

Como evitar as infecções?

“Em relação a medidas para evitar o quadro, eu acho que a primeira delas é a informação. Pais, cuidadores, professores e a população em geral precisam estar bem informados”, diz Débora Karla Silva.

A pediatra acrescenta que é necessário lembrar das medidas de segurança que foram e são utilizadas no combate à covid-19. Evitar aglomerações, higienizar as mãos constantemente com álcool 70%, boa nutrição e estar com todas as vacinas em dia são as principais recomendações da especialista.

O diretor do Centro de Epidemiologia da SMS também chama a atenção para a importância da vacinação. “Nós tivemos, sim, um caso de criança falecida em decorrência da doença respiratória. Por isso a importância dos pais manterem o estado vacinal atualizado, realizarem a vacinação da gripe a partir de seis meses de idade. É uma proteção contra esses vírus respiratórios que vão circular junto com a Covid. Os vírus do resfriado, o vírus da gripe influenza. Então é importante que os pais façam a vacinação de suas crianças”, reforça Oliveira.

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