ter 26 out 2021
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Novas medidas de segurança pública estão em andamento em Curitiba

Curitiba é conhecida como a capital ecológica e é modelo em transporte público. No entanto, para quem vive na cidade, ela também é conhecida pela insegurança. Foi exatamente essa preocupação que levou o governo de diversos países, como a Alemanha, Estados Unidos, França e México, a colocarem no ar páginas de alerta a quem virá para o Brasil durante a Copa do Mundo.

Eles listaram diversos cuidados que os cidadãos devem ter ao circular pelo país: carregar consigo uma quantia de dinheiro reserva, chamado de “dinheiro do ladrão”, para que a pessoa se renda em caso de assalto; evitar utilizar o transporte público; não ostentar joias, relógios, câmeras e demais objetos de valor; suspeitar de pessoas que vierem pedir informações e não deixar bebidas sozinhas ou com estranhos. Por mais que pareçam exageradas e preconceituosas, as medidas apontadas pelos países também são incorporadas no dia-a-dia de quem mora em Curitiba.

Depois de ser assaltado quatro vezes, o estudante de comunicação João Victor Quartiero começou a andar com um dinheiro reserva, para o caso de ser abordado. Também passou a utilizar um celular de modelo mais antigo, para evitar ser alvo desses crimes. Mas, ainda assim, foi assaltado uma quinta vez, mesmo utilizando essas medidas. “Passei por um sufoco. Ele olhou bem o celular e me devolveu dizendo que não ia aceitar aquilo. Então, com medo de que ele me batesse, entreguei 10 reais. Só que ele era exigente e não aceitou. Disse que não aceitava mixaria”, comenta o estudante.

História que se repete para a aluna de Direito, Amanda Filas Licnerski, que, após ser assaltada duas vezes em pontos de ônibus, deixou de comprar celulares smartphones e passou a carregar consigo um aparelho reserva. “Mas, sinceramente? Acho que não adianta. Toda a prevenção, toda a mudança de hábitos, não muda nossa realidade”, declara. A jovem admite que a experiência deixou traumas superados com muita dificuldade. “Agora, estou conseguindo andar melhor na rua, mas nunca mais peguei ônibus em ponto. Prefiro andar muito mais e pegar em estações-tubo. Ainda tenho medo de ficar parada esperando o sinal de pedestres abrir e praticamente ando correndo, sempre”, desabafa.

O número de assaltos no Brasil é pelo menos duas vezes maior do que a média, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) / foto: Arissa Forbellone

Um caso de polícia

Em meio a tanta insegurança, muitos cidadãos questionam a ação da polícia na coibição desses crimes. Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Militar do Paraná, a missão dos policiais militares é realizar o patrulhamento preventivo, ostensivo e repressivo diariamente para combater a criminalidade, mas que a solução desses crimes é responsabilidade da Polícia Judiciária. .

Outro ponto levantado pela assessoria é que a segurança pública é feita não apenas pelas forças de segurança pública, mas por todos os cidadãos. Cada indivíduo pode ter atitudes diárias que contribuirão para a própria segurança e também para a coletiva. Ela ressalta que é preciso estar atento a tudo o que ocorre ao redor, em qualquer ambiente, e dá exemplos de pequenas ações no dia-a-dia que podem evitar que as pessoas sejam alvos de assaltos, como fechar bem os carros e casas antes de sair, não circular com objetos de valor, não deixar objetos de valor, como celulares e bolsas, à vista em carros ou ônibus e cuidar melhor das crianças.

Políticas de Segurança Pública e mudanças para a Copa

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR), as políticas de segurança no estado levam em conta toda a totalidade e não são divididas por áreas menores ou por um município isolado. Desde 2011, são empregadas no estado diversas políticas para o aumento da segurança, implementadas pela atual gestão do governo. Como exemplo disso, há o Programa Paraná Seguro, que prevê a total reformulação dos investimentos em todas as unidades que compõem a Sesp, o que inclui a Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica (Instituto Médico-Legal e Instituto de Criminalística) e Corpo de Bombeiros.

E para a Copa não foi diferente. Ao longo dos dois últimos anos, ações são tomadas para preparar os policiais para o período do evento. Diversas estratégias e planejamentos foram testados para os dias de jogo. O treinamento é o principal e foi adotado em todos os grupos de elite da Segurança Pública: o Batalhão de Operações Especiais (Bope), na Polícia Militar;  o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre) na Polícia Civil em conjunto com a Guarda Municipal, a Polícia Federal e o Exército.

Entre os treinos estão: a capacitação para o uso de armamento não letal, atuação em operações aéreas, simulações em ambientes fechados e situação de ameaça terrorista. E para auxiliar o corpo policial, diversos equipamentos enviados pela Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos foram incorporados à prática diária. Entre eles, os Centros Integrados de Comando e Controle Móveis, equipamentos antibombas, armamentos não letais e plataforma de observação elevada.

E o videomonitoramento, que foi testado durante o Carnaval, no Litoral do Paraná, será intensificado no entorno da Arena da Baixada, ao redor dos principais hotéis de Curitiba e no sistema viário principal da cidade, a fim de coibir qualquer ação criminosa.

Os fortes investimentos na segurança visam trazer maior tranquilidade, tanto aos moradores, quanto aos visitantes da capital paranaense durante o período de jogos. Porém, o que a população espera é que, mesmo depois da Copa, o policiamento intensificado e os recursos de segurança sejam efetivos e mantidos pelo Governo do Paraná.

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