sáb 30 maio 2026
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O legado que pulsa na Mostra Lúcia Camargo

Há 4 anos, a mostra coração do Festival de Curitiba ganhava nome em homenagem a uma grande referência no teatro e na cultura do país: Lucia Camargo

Por Ana Carolina Oliveira e Maria Fernanda Costa

A Mostra Lúcia Camargo, além de ter grande relevância no cenário nacional das artes cênicas, é uma das principais programações do 34º Festival de Curitiba, que acontece do dia 30 de março até o dia 12 de abril.

A curadoria da Mostra deste ano, organizada por Daniele Sampaio, Patrick Pessoa e Giovana Soar, se dedica a utilizar as artes cênicas para denunciar as falhas do mundo atual. Assim como os curadores, Lúcia Camargo, sempre entendeu o teatro não somente como uma paixão, mas uma missão para sua vida.

Lúcia nasceu em Curitiba e, desde criança, sempre foi muito comunicativa. Formada em jornalismo, também foi professora do curso por 25 anos, na PUC-PR e na Universidade Federal do Paraná. Durante essa trajetória, sua paixão pela cultura levou Lucia a ser presidente da Fundação Cultural de Curitiba, secretária de estado da cultura do Paraná, além de diretora do Teatro Guaíra e da regional sul da Funarte.

O contato da jornalista com o Festival de Curitiba aconteceu enquanto vivia em São Paulo; um dos idealizadores do festival, Leandro Knoff, convidou Lúcia para ser curadora da Mostra. Sua filha, Adriana Camargo, conta: “Quando ela chegou ao festival, ela trouxe com ela uma sensibilidade única, capaz de enxergar o que estava nas margens e transformar em centro.” Por 15 anos, a curadora participou ativamente no Festival, deixando um legado memorável. Nas demais edições esteve presente sempre que possível.

Em 2020, Lúcia faleceu, mas deixou em cada pessoa com quem conviveu, sua marca e uma história de inspiração, acolhimento e incentivo. Por tudo que a jornalista e grande movimentadora da cultura representou para o teatro, dois anos depois, a Mostra principal do Festival foi nomeada em sua homenagem.

Quatro anos depois dessa demonstração de agradecimento a Lúcia, sua essência continua representada mesmo que os tempos atuais tragam perspectivas diferentes para a mostra. Giovana Soar, uma das curadoras da Mostra nesse ano, conta sobre a relação do seu trabalho com Lúcia: “Tudo que a Lúcia trabalhou para trazer espetáculos para cá e selecionar e fazer esse trabalho que hoje nós fazemos, também tem a ver com o fato da gente vê-la trabalhar, né? Mas estamos sujeitos a outros tipos de produção, a outro tipo de pensamento também em relação às artes na nossa década.”

A seleção inclui obras que conversam com memória, violência estrutural, raça, periferia, gênero, cidade e crise das formas de convívio. Dispostos a encenar e denunciar as rachaduras, a Mostra combina os debates das fissuras atuais da sociedade com a visão de Lucia de um teatro cheio de propósito e vida.

A Mostra Lúcia Camargo se compromete com a valorização da memória como uma forma de resistência. Junto a  Lúcia, tantos outros artistas e produtores são homenageados nessa curadoria provando o teatro como luta e arte essencialmente coletiva.

“É como se cada aplauso, cada cena, cada encontro que acontece ali fosse também um tributo à história dela. É um reconhecimento público que confirma aquilo que sempre soubemos em casa e que para nós sempre foi muito óbvio, que a vida dela foi dedicada a transformar o teatro em um lugar de encontro, mas também em um lugar de resistência.”, relata Adriana Camargo.

Apresentação: Ana Carolina Oliveira

Edição e sonorização: Maria Fernanda Costa

Produção: Ana Carolina Oliveira e Maria Fernanda Costa

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