qui 21 out 2021
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Preços abusivos e falta de fiscalização na Copa preocupam curitibanos

Na Copa, o que não vai dar para comemorar é a hora de pagar a conta.
A menos de dois meses do início da Copa do Mundo 2014 o aumento nos preços já preocupa o governo e os consumidores. A ponte aérea é onde o aumento já é mais sentido pela população. Quem compra passagem em dia de jogo pode enfrentar diferença de mais de 200 reais, no mesmo voo e companhia aérea. Segundo o professor de Economia da Universidade Federal do Paraná, Marcelo Curado, a tendência normal é de inflação nos produtos comercializados nas proximidades dos estádios. Mas, para ele, o aumento exagerado deve sim ser freado.
Para controlar esses preços em restaurantes, bares, serviços de hotelaria e aviação, o governo tem feito reuniões com esses setores. Em outubro do ano passado, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, afirmou que o governo federal faria de tudo para evitar preços abusivos ao consumidor durante o evento. Então, foi instaurado um comitê interministerial para controle de tarifas. Assim como Hoffmann afirmou na ocasião, o professor explica que o congelamento de preços não será possível. “No Brasil, a maior parte dos preços é controlado pelo mercado, na lógica de oferta e demanda. O governo não pode interferir diretamente”, diz Curado. Para ele, a ideia de controle do governo é negociar ao invés de tabelar. O tabelamento significaria impor por lei o limite de preços para alguns produtos comercializados no Brasil, ou até mesmo a uniformização dos valores de venda. Já as negociações envolvem conversas e acertos do governo para que os setores não aumentem as tarifas de forma agressiva, além de instituir comissões que investiguem e punam quem aumentar demais os preços.

Tipo de mercado

A impossibilidade de haver um congelamento de preços, ou seja, tabelamento pelo governo é resquício da construção do mercado brasileiro, afirma o professor de economia. Segundo ele, em um mercado livre como esse, o ato de tabelar preços poderia causar desequilíbrio. “Sempre que o governo procurou congelar preços, teve problema. Se os produtos forem tabelados baixos, haverá falta de produto no mercado, porque as indústrias não se dispõem a fazer produtos por valores assim”, afirma Curado.

Setor Hoteleiro e Aviação

A expectativa do governo é que a Copa atraia 600 mil turistas estrangeiros e que três milhões de brasileiros circulem pelo país, o que vai afetar o preço tanto de passagens aéreas como de hotéis. Para o setor hoteleiro, as reuniões com o governo não foram tão proveitosas, já que o preço da hospedagem ficou determinado pela Federação Internacional de Futebol. A FIFA está há mais de dois anos assinando contrato com hotéis, e firmando preços para a venda de pacotes que reúnem, geralmente, ingresso para algum jogo da competição, hospedagem, e transporte. As hospedarias que ficarem de fora poderão estabelecer preços próprios, mas, segundo a Associação Hoteleira Nacional, esses são poucos.

Mesmo com o estabelecimento de preços pela FIFA, uma pesquisa realizada pela TripAdvisor revelou a diferença de preços das diárias de hotéis entre os dias de jogos e dias normais nas cidades-sede. O professor Curado alerta que para se proteger dessas variações a melhor opção é a pesquisa de preços.

Defesa do consumidor

A população também se preocupa com o aumento nos preços de supermercados, panificadoras e outros serviços do cotidiano. Para o professor de economia Marcelo Curado, esses produtos e serviços não têm tendência em aumentar. Ainda, ele afirma que se o consumidor sentir abusos nas tarifas deve usar sua força no mercado: não consumindo os artigos. “Para se proteger o consumidor pode não comprar durante a copa e, em casos de abuso, entrar em contato com o Procon”, aponta.

Cila Santos, advogada do Procon, afirma que  o órgão de proteção ao consumidor estabeleceu comissões que investigam os preços cobrados antes e durante a Copa. Segundo ela, se o consumidor sentir uma variação de preço muito alta de um dia para outro, deve contatar o órgão. “Por exemplo, se um preço varia de 100 reais para 500 reais, o fornecedor deve justificar o aumento, sem alterá-lo unilateralmente”, explica.

Taxação sobre bebidas frias

O aumento de até 2,25% nos tributos sobre bebidas frias foi anunciado pelo Governo Federal no final de abril. Publicada no Diário Oficial da União, a nova alta entra em vigor em 1º de junho e a expectativa é que o aumento dos preços ao consumidor, quando chegar, seja de 1,3%.

Na contramão, a Companhia de Bebidas das Américas (AmBev) anunciou, no final de 2013, que congelaria os preços de seus produtos na época da Copa. Segundo a assessoria da AmBev, mesmo não tendo como controlar o preço final, a maior parte dos estabelecimentos, cerca cinco mil deles, aderiu à campanha – que também ocorreu durante o verão. Segundo o professor, trata-se de uma estratégia de marketing. Ele explica que isso não afeta o comércio dentro dos estádios, já que é a FIFA quem determina os preços dos alimentos e bebidas dentro dos estádios. O valor desses produtos não foi anunciado pela Federação.

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