
(Foto: Victoria Tuler)
A tarde desta quinta-feira, 12, foi tensa para os manifestantes que ocupavam a região do Centro Cívico em repúdio ao pacotaço de medidas de contenção de gastos proposto pelo governo estadual. O confronto entre participantes do protesto e policiais acabou com feridos e culminou na suspensão temporária do projeto.
Ainda durante a manhã, manifestantes bloquearam todas as entradas e portões da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep), na tentativa de impedir a entrada dos deputados. Nas ruas, no entorno do prédio, pessoas também impediam a passagem de veículos particulares – apenas ônibus e ambulâncias conseguiam circular pela região. No início da tarde, cerca de quatro carros do Bope, entre eles uma viatura canil, conseguiram furar o cerco dos manifestantes. Em seguida, com escolta do Batalhão de Choque e de um cordão de isolamento formado pela Polícia Militar, os deputados conseguiram entrar no prédio dentro de camburões.
A chegada do reforço policial intensificou a tensão entre as autoridades e manifestantes. Ao se aproximarem do contingente do Choque, os participantes do protesto foram recebidos com spray de pimenta. Em resposta, dezenas de pessoas sentaram na rampa da Alep, simbolizando a intenção pacífica da manifestação. Alguns professores também ofereceram flores aos policiais. Por volta das três da tarde, um grupo tentou furar o bloqueio da polícia, que reagiu com gás lacrimogênio, bombas de efeito moral e tiros de borracha. A reação violenta agravou a situação e uma multidão conseguiu invadir a Assembleia, provocando a suspensão da sessão.
Feridos
De acordo com as informações oficiais da Secretaria de Segurança Pública, o conflito terminou com 11 feridos, sendo seis manifestantes e cinco policiais militares. Entretanto, os socorristas presentes na manifestação estimam terem atendido pelo menos trinta pessoas, a maioria delas com ferimentos de balas de borracha. Além deles, pelo menos uma pessoa se sentiu mal durante o protesto e precisou ser socorrida pelo Siate.
Uma das feridas foi a mestranda em direito Gabriela Telles, que teve a perna atingida por uma bomba. Segundo ela, o Choque abriu fogo indiscriminadamente contra os manifestantes no momento da tentativa de invasão a sessão. “Foi uma reação desmedida. Eles dispararam balas de borracha contra senhorinhas de 60 anos”, afirmou.
A advogada Clarissa Viana também estava entre os atingidos pelas bombas, mas não se feriu. Para ela, a repressão policial não era necessária, uma vez que os manifestantes que forçavam a entrada estavam desarmados. “Apesar da violência, eu senti que os policiais não queriam estar fazendo aquilo e que entendiam nossa luta”, defendeu.
Outro lado
Através de sua assessoria de imprensa, o governador Beto Richa atacou os manifestantes, a quem chamou de “um grupo de baderneiros”, que teriam imposto “uma mordaça ao Poder Legislativo, impedindo temporariamente seu funcionamento”. “O que aconteceu foi uma manifestação absurda e violenta, que atenta contra a democracia, a liberdade de expressão e o estado de direito. […] É lamentável que a democracia, pela qual tanto lutamos, seja ameaçada por atos violentos como os que assistimos no dia de hoje”, diz ainda a nota oficial. Confira a íntegra da nota.
Apesar da suspensão do pacotaço para reexame, a greve dos professores e servidores das escolas estaduais continua por tempo indeterminado. O grupo que ocupa a Alep deve deixar o plenário nas próximas horas e acampar em frente ao Palácio Iguaçu.
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