sex 19 abr 2024
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Athletico revive encontro histórico na estreia na Libertadores

Alianza Lima foi o primeiro adversário do Rubro-Negro na principal competição sul-americana, há 23 anos

O Athletico Paranaense começou com um empate sem gols, nesta terça-feira (4), sua caminhada na Libertadores 2023 contra um velho conhecido. Em sua nona participação no maior torneio do continente o rubro-negro enfrentou o Alianza Lima do Peru – primeiro adversário do Furacão na história da competição. No ano 2000, o Atlético (na época sem o “h”) estreava em competições internacionais. Após ser campeão da Seletiva para a Libertadores em 99, o rubro-negro conquistou o direito de disputar pela primeira vez o torneio mais importante da América do Sul. O primeiro jogo foi no dia 16 de fevereiro contra o mesmo adversário e no mesmo palco do confronto desta terça-feira – o Estádio Alejandro Villanueva, casa dos Blanquiazules.

Nota do jornal O Estado de São Paulo sobre o jogo em Lima trazia um erro: o escudo do Alianza foi trocado pelo do América do México. Imagem: Acervo Estadão.

Yo soy Lucas

Depois de se apresentar ao futebol brasileiro no ano anterior e anotar um hat-trick na final da Seletiva, o atacante Lucas fala da euforia do grupo para a estreia internacional: “Era nossa primeira Libertadores, primeira Libertadores do clube então a ansiedade era tremenda. Todo mundo com bastante motivação ao mesmo tempo a expectativa para saber como é que seria a concentração, viajar para um outro país e como nós seríamos recebidos e foi bem tranquilo” relembra.

A internet não era tão predominante e o rubro-negro era até então desconhecido fora do Brasil. “Foi até um susto porque realmente poucas pessoas conheciam o Athletico Paranaense”, conta.

Isso favoreceu o jogo da equipe: “Fizemos um jogo fantástico, tudo deu certo. Tudo que o Vadão [Oswaldo Alvarez, técnico do Athletico] preparou, aconteceu. O fato deles não conhecerem a gente – não tinha a tecnologia de hoje de ter muitas informações – ajudou porque eles se surpreenderam com a nossa maneira de jogar. O “quadrado mágico” [quarteto de ataque formado por Lucas, Kelly, Adriano Gabiru e Kleber Pereira] fazendo uma rotação fantástica, sem guardar muita posição, somente o Kléber dentro da função de centroavante com eu, o Kelly e o Adriano sempre se movimentando bastante”, conta o artilheiro athleticano – Lucas fez o segundo da vitória por 3 a 0.

Com passagens por outros clubes do Brasil, além do futebol francês e japonês, Lucas guarda com carinho o tempo em que vestiu a camisa rubro-negra. “Tenho certeza que todos daquela geração sempre vão ser lembrados. A Seletiva foi um campeonato de última hora, na correria, mas um campeonato dificílimo, valorizou demais essa classificação para Libertadores e por isso que todos sempre valorizam esse elenco de 1999/2000, fizemos parte da primeira vez jogando a Libertadores”.

Alianza na Baixada

Christian Sotomayor, atacante Aliancista na ocasião, relembra os confrontos contra o time paranaense. Mesmo antes da primeira partida e sem o acesso a tantas informações, os peruanos esperavam jogo duro: “por ser uma equipe brasileira tínhamos certeza que seria uma boa equipe, tanto que avançaram bem”, contou Christian, falando também das campanhas recentes do Athletico. Ele falou do clima da partida em Curitiba: “Os torcedores estavam muito loucos, lembro que tinham aquelas caveiras, não nos deixavam em paz no banco de reservas”. A Arena da Baixada recém-inaugurada ficou na memória do jogador: “O estádio era muito lindo, moderno”. Apesar da derrota por 2 a 1, Sotomayor não esquece do gol anotado pela equipe dele, marcado por John “Churrito” Hinostroza.

Christian Sotomayor (dir) com a camisa do Alianza Lima, ao lado de Claudio Pizarro.

Christian ainda jogou pelo Melgar, Juan Aurich e Atlético Universidad – todos do Peru. Hoje é advogado, cantor e trabalha em uma universidade.

Arena da Baixada, sem a reta da rua Brasílio Itiberê, no jogo de ida da final do Campeonato Brasileiro de 2001.

Em um grupo que tinha, além do Alianza Lima, o tricampeão Nacional do Uruguai e o Emelec do Equador, o Furacão surpreendeu terminando em primeiro da sua chave e com a segunda melhor campanha geral.

Na fase oitavas de final o Furacão acabou eliminado nos pênaltis pelo Atlético-MG (que também está no grupo dos paranaenses na edição deste ano). Mas a Libertadores de 2000 serviu para anunciar à América do Sul que surgia uma nova força no cenário continental. Desde então o Club Athletico Paranaense disputou outras sete edições do torneio, sendo vice-campeão em duas oportunidades – 2005 e 2022. “El Paranaense” – como o clube ficou conhecido na América do Sul – vai para a nona participação buscando a glória eterna pela primeira vez.

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