qua 05 out 2022
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Brasil acumula inflação de 10,7% em 12 meses

Inflação é a pior dos últimos 20 anos, enquanto a taxa de desemprego sofre oscilações. Vestuário, transporte e alimentação estão entre setores com maiores altas

Ir ao mercado tem causado surpresa nos últimos meses. Com um acumulado de 10,7% nos últimos 12 meses, a inflação impede que o consumidor saiba o preço que vai pagar por determinado item. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aumentou também, sendo um dos responsáveis pelo aumento da inflação.

De acordo com pesquisas do IBGE, só em novembro o IPCA chegou a 0,89%, índice menor que em outubro, quando registrou 1,25%. O setor de vestuário é o que apresenta o maior índice de aumento com 1,8% – em 2020, no mesmo período, chegava a 0,07%. O transporte é o segundo setor a apresentar aumento, de 1,33% (novembro de 2020) a 2,62% (outubro de 2021).

Para o doutor em Economia pela Universidade de Londres e professor aposentado da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fabio Scatulin, a principal causa da inflação é o desequilíbrio entre a oferta, que diminuiu, e a demanda, que aumentou.

“A cesta de bens que você comprava HÁ uma semana por r$ 200, hoje precisa de r$ 220. A inflação é quando você vai ao mercado e vê os alimentos mais caros do que na semana anterior”.

Fábio Scatulin, economista

Não é apenas o Brasil que está sofrendo com essa oscilação de preços. “O setor de produção depende de peças e insumos de outros países. Com a pandemia tivemos uma quebra do fluxo de comércio, está faltando container, chip e peças de automóveis. Então, hoje a inflação é um problema em todos os paises”, complementa.

Por outro lado, o economista ressalta outro problema oriunda da pandemia. “As pessoas estão voltando à normalidade, elas voltaram a consumir, então a demanda está superior à oferta, muita demanda e pouca oferta faz com que a inflação aumente”.

Essa é a pior inflação desde a implantação do Plano Real, em 1994. Desde então, a normalização do preço da moeda fez com que a inflação se mantivesse abaixo dos 10% anuais durante duas décadas. “Na década de 80, tínhamos a hiperinflação, os preços subiam 1% ou 2% ao dia. No final do mês tinha subido 30%. Esse momento era delicado, pois havia uma perda na credibilidade, as pessoas não acreditam mais na moeda”, comenta Fabio sobre o período antes do Plano Real.

Apesar de os índices mostrarem que a inflação passou por um aumento significativo, o economista está otimista: “Até esse momento não existem indicativos que apontem para um período como o de 1994. Os determinantes são outros e a probabilidade de termos um evento parecido com aquele, é muito pequeno”.

Quando questionado sobre os desdobramentos dos próximos meses de inflação, o professor apontado consegue traçar uma melhora. “A previsão é que dos 10% que estamos hoje caiam para 4,5% ou 5% no ano que vem. Acredita-se que a inflação volte para o centro da meta, em 2023, que seria 3,5% ao ano”.

Relação dólar e real

Nos últimos anos houve uma valorização do dólar frente ao real. Atualmente, um dólar equivale a R$ 5,67. Não é o maior preço da história. Em 2002, o Brasil atingiu o valor mais alto do dólar, quando chegou a R$ 7,91.

Uma série de preços do Brasil são cotados pelo dólar. Portanto, o aumento está atrelado à inflação. “A nossa moeda está desvalorizada lá fora, por isso estamos sofrendo as consequências. O conjunto de bens como carne, soja e café tem seus preços determinados em dólar, com a desvalorização da nossa moeda sofremos duplamente esse efeito”, comenta Fabio Scatulin.

O desafio é enfrentar o aumento dos produtos essenciais como energia e alimentos. De acordo com a média geral do IPCA, os alimentos e bebidas subiram 13% em 12 meses. Os principais alimentos que subiram foram arroz e tomate, com 40%, e o óleo de soja, com um acréscimo de 80%. Ainda de acordo com o IPCA, a energia elétrica residencial subiu 20%. Nos combustíveis, a gasolina aumentou 40%, o etanol, 57%; e o diesel, 36%.

Cada pessoa tem a “própria inflação”

Os bens que uma pessoa consome mensalmente determinam a inflação individual. Imagine uma pessoa que todo dia pega ônibus, vai uma vez por mês ao cinema e faz compras quinzenalmente. Com o aumento desses setores, essa pessoa será atingida de maneira diferente de quem não vai ao cinema todo mês, por exemplo.

“Todos nós temos uma cesta de bens que compramos. Se somados e comparados com os meses anteriores, cada um consegue determinar sua inflação”, comenta o economista. Ao ser questionado sobre como driblar a inflação, ele responde. “Na área de alimentação, escolher seus bens substitutos. Por exemplo: a carne de boi sofreu um acréscimo, compra frango que é tão saudável quanto a carne vermelha”.

A dica é pesquisar antes de ir ao mercado e ficar atento aos preços de alimentos substituíveis, pois existe uma série de bens que podem ser substituídos sem perder qualidade, calorias e, além disso, manter o valor nutricional que o corpo precisa.

Thaysla Neves
Estudante de Jornalismo da UFPR.
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Estudante de Jornalismo da UFPR.