seg 26 fev 2024
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Dirigente nacional do MST discursa sobre combate à crise climática em Curitiba

Em conferência da 20ª Jornada de Agroecologia neste sábado, dia 25, João Pedro Stédile relembra os princípios do movimento e quais ações devem ser tomadas no momento atual

A crise estrutural e a “Casa comum: as tarefas políticas deste tempo histórico”. Este foi o tema debatido por João Pedro Stédile, na manhã do último sábado (25), no Campus Rebouças da Universidade Federal do Paraná. A conferência fez parte da programação da 20ª Jornada da Agroecologia, evento de coalizão entre organizações defensoras da reforma agrária popular.

Em entrevista ao Jornal Comunicação, o líder faz um reconhecimento do desempenho da 20ª Jornada da Agroecologia de Curitiba: “A cada ano que passa a gente percebe que a Jornada cumpre o seu papel de alimentar os saberes e os conhecimentos e, sobretudo, de alimentar a esperança de que é possível e necessário fazer uma agricultura diferente que respeite a natureza e produza alimentos saudáveis”.

Confira a reportagem em vídeo sobre a conferência de João Pedro Stédile!

O norteador da conferência foi o risco de vida sofrido pelos seres humanos devido à crise ambiental. O economista e dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) atribuiu os desastres ambientais emergentes ao sistema capitalista e comentou sobre o papel dos movimentos populares de pressionar os governantes a se responsabilizarem pela proteção da natureza, dos animais e dos seres humanos.

“Sem alimentos saudáveis não há vida. Nem das pessoas, nem dos demais seres que coabitam conosco”, disse. Na introdução de seu discurso, Stedile reforçou a principal motivação da Jornada de Agroecologia e relembrou o pioneirismo do Paraná no evento. Citou, também, a presença das brigadas internacionalistas pela agroecologia, vindas da Venezuela e da Argentina, indicando as articulações do movimento pela América Latina.

“Sem alimentos saudáveis não há vida. Nem das pessoas, nem dos demais seres que coabitam conosco”

João Pedro Stédile

Em seu diagnóstico inicial da situação do planeta, o ativista discursou sobre a degradação das florestas, a concentração de terras e a contaminação dos mares. Pontuou que “a maior parte dos plásticos que usamos durante a vida vai parar nos rios e, assim, irá para os oceanos”, o que causa o superaquecimento das águas e o desequilíbrio da vida marinha.

Stédile também criticou a falta de transporte público e o consequente uso de veículos individuais: “Queimar petróleo todo dia nos automóveis é um crime”. Segundo ele, a emissão de gás carbônico pelo consumo de carvão e petróleo contamina os pulmões das pessoas e pode levar à morte.

Dentre os desastres ambientais citados estava a pandemia da Covid-19. O dirigente nacional do MST afirmou que a crise sanitária teve origem no desequilíbrio ambiental e demonstrou que seus impactos foram mais fortes para os mais pobres. “Dos 7 bilhões de seres humanos, todas as estatísticas revelam que os 4 bilhões de mais pobres são os principais afetados por estes crimes [ambientais]”, explicou.

A conversa ocorreu no palco principal do evento, localizado no Campus Rebouças da UFPR. Foto: Ana Halat/Jornal Comunicação.

Quem são os culpados?

“As causas estruturais vão muito além do nosso consumo que às vezes não é adequado”, afirmou Stédile. Para o economista, o capitalismo é uma contradição: quanto maior a concentração de riqueza, maior a desigualdade e, consequentemente, mais facilitada está a crise climática.

A crítica ao governo, tanto de esquerda quanto da direita, por seu comportamento quanto à crise climática foi outro tema do discurso de Stédile. “Nós da esquerda não podemos ficar calados apenas porque o Lula está do nosso lado”, reforçou, ao comentar que o presidente está iludido com a proposta dos créditos de carbono.

[…] é possível e necessário fazer uma agricultura diferente que respeite a natureza e produza alimentos saudáveis”

João Pedro Stédile

“Toda vez que a TV Globo passa a propaganda ‘Agro é Pop’, ela faz propaganda dos agrotóxicos e dos crimes ambientais” — o militante do MST denunciou a mídia tradicional por ajudar a criar uma narrativa falsa em defesa dos culpados pela emergência climática.

A 20ª Jornada de Agroecologia aconteceu entre os dias 22 e 26 de novembro, em Curitiba. Foto: Ana Halat/Jornal Comunicação.

O que cabe à população?

O dirigente nacional do MST relembrou os pontos de luta que devem ser reforçados nos movimentos populares quanto à crise climática. Entre os tópicos estão a luta pelo desmatamento zero, o combate aos agrotóxicos e à manipulação do “capitalismo verde” e a defesa do transporte público e gratuito, com o objetivo de diminuir as emissões de gases poluentes na atmosfera.

“Se o reitor estiver ouvindo, arranque esse asfalto e encha de árvores toda essa universidade”, disse Stédile, em comentário aplaudido pelo público, ao enfatizar a urgência de um reflorestamento nas cidades.

Outro ponto de virada defendido é a criação da disciplina de “defesa dos bens da natureza” nas escolas. Segundo Stédile, o ensino desta matéria poderia formar uma mentalidade mais consciente dos riscos e deveres nas novas gerações.

A conferência foi aberta por manifestações artísticas populares. Foto: Ana Halat/Jornal Comunicação.
Ana Halat
Estudante de Jornalismo da UFPR.
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Ana Halat
Estudante de Jornalismo da UFPR.
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