seg 18 out 2021
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Luta do movimento LGBT fomenta debates universitários

Pela primeira vez, a União Paranaense dos Estudantes (UPE) organiza um evento para discutir a participação estudantil no movimento LGBT. O I Encontro LGBT da UPE reuniu cerca de 100 estudantes e foi um espaço de formação política e de deliberações sobre o movimento.

I Encontro LGBT da UPE foi marcado pelo ampliação da discussão e planos para o futuro. (Foto: divulgação)
I Encontro LGBT da UPE foi marcado pelo ampliação da discussão e planos para o futuro.
(Foto: divulgação)

A estrutura do evento seguiu os moldes de outro, também em primeira edição, da União Nacional dos Estudantes (UNE) no Rio de Janeiro, com a principal característica sendo a diversidade temática. No Paraná, foram debatidos temas como: histórico e conjuntura atual do movimento, direitos e identidades das pessoas trans, lesbiandade, bissexualidade, saúde gay e a prática de bareback (sexo sem camisinha).

A estudante da UTFPR Aline Vieira, diretora LGBT da UPE, adianta os próximos passos da organização. “Pretendemos lançar uma cartilha com base nas discussões do encontro e um material sobre saúde LGBT, visto que ainda há pouca informação sobre isso”, diz.

Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), o debate LGBT ainda acontece a passos lentos. A última grande mobilização foi em novembro de 2014, quando o relato anônimo de um caso de homofobia na página do facebook Spotted da Reitoria mobilizou o coletivo Difundindo Cores a fazer um ato de protesto no Campus do Botânico e do Politécnico.

Difundindo Cores, o principal coletivo dentro da UFPR

Ao contabilizar o número de coletivos da UFPR, os feministas disparam na frente dos que debatem a temática gay. Muitas vezes, as discussões dos dois movimentos se misturam, mas há quem busque maior autonomia para o LGBT. É o caso do Difundindo Cores, único coletivo LGBT em atividade na Universidade.

O estudante de Ciências Biológicas Marcos Vinicius Tavares, membro do coletivo, conta que a associação entre os movimentos feministas e LGBT acontece porque que o machismo e a lgbtfobia andam de mãos dadas. “Orientação sexual e identidade de gênero não são fatores separados do ser humano, eles fazem parte do ser”, explica.

O primeiro encontro desse ano do Difundindo Cores já rendeu frutos. “Várias ideias surgiram, como, por exemplo, realizar debates em cima de filmes e vídeos, enriquecimento teórico, aumento da participação no movimento estudantil e ações práticas contra a lgbtfobia e outras formas de opressão”, conta.

Para expandir as atividades, Tavares acredita que a união entre os Centros Acadêmicos é o melhor caminho. “Pretendemos fazer um rodízio pelos setores da universidade com o propósito de ocupação e visibilidade do coletivo e do movimento no Politécnico. Queremos muito integrar o Campus do Botânico”, afirma o estudante, que diz encontrar dificuldades na entrada do coletivo nos cursos de exatas e tecnológicas.

A importância do movimento para a vivência acadêmica

A estudante de pedagogia Catarina Vieira, integrante da atual gestão do DCE, acredita que as opressões contra a comunidade LGBT são expressões de um projeto de sociedade que não corresponde ao dos estudantes. E para combater isso, o DCE defende que a organização é o ponto de partida.

Uma campanha contra homofobia já foi iniciada durante os trotes na Semana do Calouro. “O resultado desse empoderamento, com declarações e denúncias, nos ajudam a moldar uma melhor comunicação interna”, conta.

Porém, as conquistas em prol da comunidade universitária ainda são poucas. Uma delas é o reconhecimento do nome social para estudantes trans, que ainda está em tramitação, faltando passar pela aprovação do Conselho Universitário. Outra ação para esse ano é a criação de uma ouvidoria com número telefônico, que será usado como disk denúncia. “Essa é uma das nossas prioridades”, garante a estudante.

Como faço para participar?

O coletivo Difundindo Cores tem reuniões às sextas-feiras, 17h, no Setor de Biológicas no Campus Politécnico. Para saber mais sobre os encontros, acesse a página do coletivo.

Já o DCE promete realizar o primeiro Encontro LGBT da UFPR e um mês inteiro dedicado à luta do movimento. Para saber mais sobre os eventos, acesse a página da gestão.

Para continuar sabendo das discussões realizadas no Encontro da UPE, entre na página do evento.

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