dom 24 out 2021
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Obras da Copa mudam a rotina de quem vive próximo às reformas

Arena quase pronta
A reforma da Arena está quase pronta. As construções no estádio mudaram a vida de muitas pessoas que vivem perto do local. (Foto: Divulgação CAP S/A)

Desde que as reformas para a Copa do Mundo começaram na cidade, grande parte da população vem sentindo os efeitos em sua rotina. Para algumas pessoas, porém, os impactos são ainda mais fortes. São moradores, comerciantes e operários que convivem diretamente com as obras da Arena da Baixada, em Curitiba.

Para a recepcionista  Marcele Ferreira (29), que trabalha em um prédio ao lado do estádio, por exemplo, está difícil ignorar os transtornos. Ela vai para o trabalho de ônibus todos os dias e agora demora vinte minutos a mais para chegar. “Não tem sinalização nem segurança para pedestre, você que deve se adequar à obra”, reclama.

Há, também, os benefícios. O terreno vizinho ao prédio até pouco tempo era uma casa em ruínas, ponto de encontro de usuários de drogas. Com sua demolição, iniciaram-se as obras para o Complexo de Transmissão Televisiva. Após a Copa, existe a chance de que o espaço se torne um posto de saúde.

Dois lados

Poucos metros da Avenida Getúlio Vargas se estendem diante do portão de entrada das obras do estádio. Ali, o tráfego para, os pedestres diminuem os passos e olhares curiosos tentam espiar um pouco do que acontece.

O ex-operário da Arena, Ramires Santos (29), teve essa oportunidade, mas se desiludiu. Para ele, os banheiros e os lugares em que serviam a comida estavam em péssimas condições, além de não pagarem os funcionários em dia. Ramires decidiu se juntar à greve dos trabalhadores da obra, mas não se contentou com os resultados obtidos e pediu demissão.

Do lado de fora, a história é diferente. David Douglas está trabalhando para uma das empreiteiras que reformam as calçadas ao redor do estádio. Para ele, saber que está ajudando a reformar a cidade para a Copa do Mundo é uma perspectiva empolgante. O mundial gerou oportunidades de emprego e David as aproveitou. Agora, a felicidade está na esperança de que haverá um jogo para os funcionários na Arena, antes mesmo da inauguração oficial.

De portas abertas

Dalva Oliveira de Luca (62) trabalha no caixa do Fá Bar e Bistrô, restaurante de sua filha Fabiana. Localizado no fundo da Arena da Baixada, a senhora acompanha as obras desde seu início. Para ela, tudo se passou de forma muito tranquila.

Mesmo com as calçadas e as ruas em reforma, que dificultam para os clientes na hora de estacionar o carro, ela acredita que os benefícios superam os transtornos. O bistrô encontrou novos clientes nos operários que trabalham por ali.

O restaurante pretende receber a Copa de portas abertas. Contratar mais funcionários, aumentar o expediente e realizar reformas. De acordo com Dalva, o objetivo de sua filha é abrir o estabelecimento nos dias de jogo. Resta saber se isso será permitido pela organização do evento. Até o momento, eles não foram contatados.

Acompanhando de cima

Localizado a cerca de duas quadras do estádio, na Rua Coronel Dulcídio, o prédio da UEB (União dos Escoteiros do Brasil) tem uma visão privilegiada das obras em todo o entorno da Arena. Quem trabalha ali teve a chance de acompanhar quase todo o andamento das reformas.

O gerente sênior de métodos educativos da UEB, Luiz César Horn, observa que depois que as obras avançaram houve uma mudança na cidade. “Ficou mais bonita”, diz. Para ele, as mudanças não estão apenas no entorno da Arena, mas também no corredor que leva ao aeroporto e à rodoferroviária. “Existe um transtorno, mas os benefícios em longo prazo compensam”, completa Horn.

Arena vista do prédio da UEB
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