dom 24 out 2021
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UFPR amplia interiorização com a criação de curso de Medicina em Toledo

Hospital Regional de Toledo está sendo construído na Avenida da União, ao lado de onde será instalado o campus de Medicina da UFPR. (crédito da imagem: Prefeitura de Toledo)
Hospital Regional de Toledo está sendo construído na Avenida da União, ao lado de onde será instalado o campus de Medicina da UFPR (Foto: Prefeitura de Toledo)

Foi aprovada pelo Conselho Universitário da UFPR, no início do mês de abril, a criação de um novo campus de Medicina em Toledo, cidade localizada na região Oeste do Paraná. O campus será o quinto da UFPR fora de Curitiba, junto com os campi Centro de Estudos do Mar (Pontal do Paraná), Campus Avançado Palotina, Campus Matinhos e Campus Avançado de Jandaia do Sul.

O reitor da universidade, Zaki Akel Sobrinho, recebe amanhã, dia 29, a doação oficial do terreno onde será construído o imóvel destinado ao campus, que será cedido pela Prefeitura de Toledo. O terreno de 35 mil metros quadrados será doado em cerimônia que deve contar com as presenças de lideranças políticas, empresariais, comunitárias e das áreas médica e do magistério da região oeste do estado.

A escolha da cidade foi baseada em uma avaliação, feita no segundo semestre de 2013, por uma comissão nomeada pela universidade para verificar se a cidade tinha condições para receber o curso de Medicina. Segundo o vice-reitor da UFPR, Rogério Andrade Mulinari, os pontos mais importantes que a comissão avaliou  são o número de Unidades Básicas de Saúde (UBS); número de UBSs que tenham a Estratégia Saúde da Família, criada pelo Ministério da Saúde em 1994 para expandir, qualificar e consolidar a atenção básica no Brasil; disponibilidade de leitos hospitalares, tanto na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto na privada conveniada com o SUS e número de médicos profissionais residentes na cidade.

Está sendo construído na cidade, com a parceria do Ministério da Saúde e do governo do estado, o Hospital Regional de Toledo, que inicialmente terá 88 leitos e está previsto para ficar pronto ainda este ano. Segundo Mulinari, porém, o curso terá que inicialmente utilizar uma instalação provisória cedida pela cidade de Toledo, pois o hospital ainda terá que ser certificado como hospital de ensino – vulgo hospital universitário. “O curso de Medicina que está planejado para Toledo só vai ter como de fato utilizar essa estrutura hospitalar dentro de três a quatro anos”, explica o vice-reitor. “Mas, sendo um hospital do SUS, ele obviamente será nosso campo de estágio, seja hospital universitário ou não”.

Mulinari também explica que o projeto do curso em Toledo será distinto do curso de Medicina em Curitiba: “O novo curso tem uma estrutura muito menos ‘departamentalizada’, procura ter um envolvimento precoce no SUS e um desenvolvimento intenso com a atenção primária e a área de urgências e emergências”. Outra mudança importante será no número de professores, que deve ser menor em Toledo devido ao seu sistema de ensino diferente, mais voltado para a parte geral da medicina e não em suas especialidades, o que diminui a divisão entre os ciclos básico, teórico-prático e profissionalizante. “Haverá, portanto, o envolvimento de um número menor de professores em Toledo, porque eles não serão especialistas em suas respectivas áreas”, explica Mulinari.

Desenvolvimento para a cidade

Os campi localizados no interior do Paraná costumam trazer muitas mudanças para os municípios onde são instalados. “A cidade se desenvolveu bastante por conta da universidade”, testemunha Gabriela Camila Krombauer, estudante de Ciências Biológicas em Palotina. “Mercado, lojas, bastante coisa é voltada para o público universitário. Quando os estudantes vão embora, a cidade fica vazia”. Apesar disso, ela não deixa de citar alguns problemas em estudar longe da sede da universidade: “Em Curitiba, por exemplo, existe uma estufa de biologia molecular há um tempão, e aqui nada, os alunos se viram como podem”. Outro problema notado é o da dependência que os campi como o de Palotina têm de Curitiba, como, por exemplo, para conseguir ter um contrato de estágio assinado: “Tem que ser tudo mandado para Curitiba. Até conseguir correr atrás dos professores, das assinaturas, mandar para Curitiba e voltar, é difícil. Algumas pessoas até perdem documentos por conta disso”.

Em Toledo, segundo o vice-reitor, a primeira matricula deve ser feita já em 2016. Em princípio o curso terá 30 alunos, porém a expectativa é de que seja ampliado para receber 60 alunos nos anos seguintes.

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