“A educação é um problema que precisa de soluções criativas”, é o que defende Sam Adam Hoffmann, professor e fundador da startup Investeendo, sobre a relação da educação com sua empresa. A Investeendo é uma startup que propõe um modelo de aprendizado financeiro simultâneo aos conteúdos tratados nas disciplinas tradicionais da sala de aula.  

Por meio da tecnologia do aplicativo, a iniciativa cria um ambiente com uma microeconomia simulada junto a um sistema de recompensas concretas que funcione como uma solução criativa à falta de educação financeira. O aplicativo traz um ecossistema gamificado que simula a economia do mundo real, com uma moeda própria, taxa de juros, possibilidade de investimentos, aplicações, gráficos de desempenho, transferências entre alunos, poupanças, e uma área de notícias fantasiosas que influenciam no valor de determinadas ações. 

Existem duas principais formas de receber moedas dentro do aplicativo. A primeira é uma recompensa por concluir as tarefas das disciplinas e as transferências entre os alunos. A segunda maneira abre um leque de possibilidades para que os estudantes possam praticar empreendedorismo junto ao desenvolvimento de habilidades. Os alunos podem produzir desenhos, por exemplo, e vendê-los aos seus colegas em troca de moedas do jogo.  

Com essas moedas, as oportunidades são variadas: Uma delas é gastar com a loja do app que contém itens reais disponíveis para compra. Essa loja é formada, principalmente, por objetos vindos de doações feitas por clientes da empresa. Os objetos vão de camisetas até relógios inteligentes.  

Motivações e desafios  

Startup veio da união do Professor Sam Adam com Vanessa Cristiane Motta e sua filha Mariana Motta de Matos. Foto: Acervo Investeendo

O projeto surgiu durante pandemia do Covid-19, quando Adam percebeu que algumas famílias de seus estudantes ficaram vulneráveis financeiramente. “Durante a pandemia eu percebi como a situação financeira das famílias dos meus alunos estava se deteriorando, a gente via muitos alunos passando necessidade. Muito por conta também da falta de educação financeira”, aponta Adam.  

No começo, a gamificação acontecia nos tabuleiros. Sem investidores, a empresa desenvolvia jogos de tabuleiro que funcionavam como um simulador analógico. A ideia era mesma do aplicativo, mas em pequenas caixas e sem a mesma duração. Com o crescimento, o aplicativo foi criado e figura como principal produto.  

A participação da Investeendo se espalhou em diferentes estados brasileiros, entre eles: Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e tem planejamento de expansão internacional para Angola, no continente Africano. Adam explicou que aproximadamente 90% dessas ações da startup acontecem em escolas em áreas de vulnerabilidade social.  

Um dos objetivos da empresa é democratizar o ensino financeiro aos jovens. Por isso, o aplicativo também comporta uma versão para os totens, que são telas interativas — como grandes tablets acoplados em suportes móveis — levadas às escolas para que as crianças que não possuem celulares possam consultar suas finanças.  

Os totens podem ter tamanhos variados, desde um tablet na parede a uma grande tela. Foto: Acervo Investeendo

A atuação do grupo nas escolas acontece também com os professores. Eles passam por uma capacitação para poder trabalhar com o aplicativo dentro da sala de aula e se habilitarem de forma técnica. “A gente deixou meio de lado a parte dos professores, mas quem tem dificuldade com tecnologia é o professor e não o aluno”, reconhece Adam.   

Com base nesse e em outros problemas, uma nova versão do app está em desenvolvimento. Ela contará com um sistema de câmbio, um recurso de mentorias reclassificadas nas quais alunos poderão se ajudar nos estudos, uma área específica para auxiliar os professores e uma versão para o Educatron — conjunto com televisão, computador, teclado, microfone e câmera; criado para modernizar o estudo — usado em colégios estaduais. 

Curitiba é um dos maiores berços de startups no Brasil  

A Investeendo é uma das empresas que participa de um terreno fértil para startups, a cidade de Curitiba. Segundo o Global Startup Ecosystem Index Report (GSEI) 2025, Curitiba fica em terceiro lugar entre as melhores cidades para startups no Brasil, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.  

Já o Sebrae Startups considera Curitiba a sexta colocada no top 10 de cidades com o maior número de startups do Brasil. A Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, aponta que esse número aumentou de 84 empresas em 2017 a mais de 600 em 2025.  

A Prefeitura Municipal de Curitiba apresenta algumas iniciativas que fomentam a criação de empresas inovadoras na cidade e auxiliam nesse crescimento. Em 2007 foi inaugurado o Tecnoparque, que oferece incentivos fiscais a empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. O Workitiba é o primeiro coworking público e gratuito do Brasil e auxilia empresas iniciantes com mentorias e programas de pré-incubação e aceleração com conexão ao ecossistema de startups do Vale do Pinhão.  

Aproximadamente 246 mil empreendedores já foram atendidos por progamas parceiros ao Vale do Pinhão. Foto: Reprodução/ Site Vile do Pinhão
A Investeendo participou de um pitch no Vale do Pinhão. Foto: João Pedro Mello

Criado em 2017, o Vale do Pinhão traz a proposta de unir governo, universidades, startups, empresas e sociedade civil no amadurecimento da tecnologia de forma sustentável em Curitiba. Em 2024 o Pinhão Hub — localizado no bairro Rebouças, dentro do Engenho da Inovação — ganhou uma sede, onde ocorre o Pitch Vale do Pinhão. A competição anual é uma das formas de conectar startups e estimular o empreendedorismo inovador.