A força dos artistas independentes do Festival de Curitiba 

Mesmo com poucos recursos, companhias autônomas transformam paixão em espetáculo e conquistam espaço no maior festival de teatro da América Latina

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Espetáculo “O Brownie da Bruxa”. Foto: Divulgação. 

Por Amábili Gomes e Emanuelle Viana 

Com mais de 435 atrações espalhadas por cerca de 70 espaços diferentes, a 34ª edição do Festival de Curitiba chegou ao fim, deixando marcas e um gosto de “quero mais” no público. Mas, por trás de cada apresentação, existe uma rotina intensa de preparação, organização e esforço, principalmente para os artistas de companhias independentes.

Esses grupos autônomos, que não estão ligados a grandes produtoras ou instituições, têm a oportunidade na mostra Fringe — um dos principais espaços de visibilidade dentro do Festival. Criado a partir de um movimento iniciado na Escócia, em 1947, quando artistas que não puderam participar da programação oficial do Festival de Edimburgo e decidiram ocupar espaços alternativos, o modelo chegou a Curitiba em 1998 e se consolidou como uma das marcas do evento.

Para muitos artistas, o Fringe representa a primeira oportunidade de se apresentar para um público amplo e diverso. É o caso da companhia Cannolis, que iniciou suas atividades recentemente e já marcou presença no Festival. Guilherme de Castro, co-diretor e um dos atores da peça “O Brownie da Bruxa” — ambientada no século XIX e que mistura romance proibido, comédia e intrigas — conta que a experiência mudou sua forma de enxergar o teatro.

“Para mim, participar do Festival é uma grande conquista. Eu nunca me imaginei fazendo teatro de forma tão séria. Quando comecei, pensava nisso como um hobby, porque não conseguia enxergar um futuro. Mas, quando a gente [companhia] entrou no Fringe, tudo ficou mais claro: é possível fazer e até viver disso”, afirma o ator.

Apesar do entusiasmo, a realidade das companhias independentes é marcada por desafios. A falta de financiamento, a ausência de bilheteria em muitos casos e o trabalho voluntário são obstáculos frequentes. Produzir um espetáculo exige investimento em figurino, cenário, divulgação e deslocamento, custos que, muitas vezes, saem do próprio bolso dos artistas.

Ainda assim, o que mantém esses grupos em movimento é o encontro com o público e a paixão pelo teatro. É isso que você acompanha no episódio A força dos artistas independentes do Festival de Curitiba, produzido por Amábili Gomes e Emanuelle Viana, que traz um olhar sobre as vivências de artistas independentes.

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