seg 18 out 2021
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Palhaço, uma profissão

Aos trinta anos, o palhaço Alípio é casado e tem dois filhos. Foto: Carolina Pelegrin

Aos 17 anos, convencer os pais de que ser palhaço vai garantir seu sustento pode ser difícil. Rafael Petzet Barreiros superou essa etapa e hoje, 13 anos depois, administra a Cia dos Palhaços. “Como outras profissões, a gente tem que mostrar que dá para viver disso. Aos poucos, quando eles viram que eu conseguia pagar minhas contas, eles relaxaram” lembra.

Nomeado Alípio, o palhaço interpretado por Rafael nasceu quando ele ainda estudava Desenho Industrial na UTFPR. Durante uma aula, a professora trouxe dois palhaços para fazerem uma apresentação para turma, a palhaça Cebola e o palhaço Siricutico. “Eles faziam o mesmo espetáculo várias e várias vezes e nunca era igual, eles sempre podiam improvisar durante minutos, horas…”, conta Rafael, que passou a se informar mais sobre a profissão e se encantou com o que ele considera uma arte refinada.

Nada de palhaçada

Assim como outros colegas de profissão, Rafael trabalha como profissional autônomo e é associado ao SATED – Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos e Diversões no Paraná. “Tá ali na minha carteira de trabalho. Eu sou palhaço e malabarista”, orgulha-se.

O ator entende que para o senso comum a figura do palhaço se resume ao que é exibido pelos meios de comunicação. Ele argumenta que colocar regras em uma arte como essa faz com que ela perca a sua essência. “Essa profissão é transgressora. O palhaço não cabe dentro de uma gavetinha”, pondera.

Para Rafael, o palhaço também tem um papel social. “Se você começar a estudar épocas e culturas diferentes, você verá que sempre teve alguém que tinha a função de fazer o outro rir”, lembra. Ele acredita que essa representação vem para resgatar características humanas que se perdem durante o amadurecimento pessoal, como a espontaneidade e a permissão ao erro. “Quem nunca tropeçou na rua? Quem nunca quis parecer muito legal e entrou em uma situação ridícula?”, argumenta Rafael.

Rafael tem medo que Alípio se perca no meio de tantas responsabilidades que o ator adquiriu para poder sustentar a profissão, mas afirma que sua maior satisfação ainda é estar no palco. “É conseguir estar ali com o público, é conseguir mostrar um pouco dessa arte que a gente tanto ama e pesquisa a fundo”, reforça.

“Essa profissão é transgressora”, afirma Rafael Petzet Barreiros.
Foto: Carolina Pelegrin
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