
Por Amábili Gomes e Emanuelle Viana
Em seu segundo final de semana, a 34º edição do Festival de Curitiba, que acontece até 12 de abril, é marcada por espetáculos que colocam a resistência no centro do debate, explorando suas diferentes formas e significados no palco.
A programação reúne apresentações que abordam desde a luta das mulheres até as vivências de pessoas surdas. São obras que além de entreter, levam ao público reflexões e ampliam o olhar sobre temas urgentes e necessários. Esse é o caso da peça “Reparação”, que acompanha a trajetória de uma mulher que foi violentada por dois homens e que depois de engravidar, se viu obrigada a deixar a família e seguir outros caminhos. O espetáculo fala sobre resistência feminina e reparação familiar, dialogando com o passado e o presente.
Outro exemplo, é a peça “Voz Invisível: Catharine Moreira” que propõe ao público uma interação por meio da Linguagem de Sinais (Libra) e discute sobre o protagonismo da mulher surda na arte e em outros espaços, destacando os desafios e a resistência histórica feminina.
Um outro exemplo disso, é a peça “Vinte!” — idealizada por Tainah Longras e Maurício Lima — que resgata as memórias dos movimentos artisticos negros da década de 1920, tando do Brasil quando de outros países. Além disso, o espetáculo também faz uma crítica a peça “Tudo Preto” (1929) da Companhia Negra de Revistas, fazendo essa relação entre cidade, cotidiano e arte.
O ator e diretor musical da peça “Vinte!”, Muato, explica que o espetáculo revisita o passado de movimentos nacionais que contribuíram para a construção da identidade negra. A releitura, que também abrange um olhar sobre o que acontecia em outros países, parte do trabalho de artistas que conheceram uma vivência racial diferente da experienciada no Brasil e foram influenciados em seu processo de criação. “O que a peça faz é reescrever essa história, com uma crítica fabular, que não poderia ter sido escrita naquela época, com um olhar atual e que traz todas as informações que temos hoje”, explica. É nesse fator que mora o maior impacto emocional da peça: um jeito diferente de abordar as questões raciais no país e o conhecimento de um lado da história que, devido ao apagamento, é colocado às margens.

É nesse contexto que o teatro se consolida como um espaço de visibilidade, ampliando a voz daqueles que foram historicamente silenciados e resgatando memórias que contribuem para as discussões contemporâneas sobre representatividade. A discussão completa do assunto você encontra na reportagem “Resistência ganha força nos palcos”, produzida para o Jornal Comunicação, em parceria com a Rádio UniFM. Ouça o material no Spotify:


