Por Thais Castro

Caros leitores,

Quando o site do festival decreta “ingresso esgotado”, parece ser o fim da linha. Podemos até insistir e recarregar a página várias vezes, mas a sensação é de que perdemos a chance de assistir àquela peça tão aguardada. Alguém poderia dizer “era só ter comprado com antecedência”, mas a realidade é que o salário é curto e as contas são altas, nem sempre conseguimos priorizar a renda apenas para o teatro, por mais que quiséssemos.

Nesse cenário, surge uma alternativa persistente, pessoas que se reúnem na frente dos teatros, esperando o início do espetáculo para ocupar eventuais lugares vagos. Esse ato é antigo, iniciado pelos próprios atores ou pelo público, não se sabe ao certo, e foi carinhosamente intitulado de “Movimento Sem Ingresso”. É, na essência, uma busca pela democratização e pela entrada franca.

Em conversa com o estudante de Artes Cênicas da Faculdade de Artes do Paraná (FAP), Felipe Schier, ele relatou como os artistas enxergam esse ato: “Fico muito feliz de saber que há pessoas batalhando e querendo muito estar ali para prestigiar a peça. Até nós, estudantes, nem sempre temos como pagar por todas as apresentações, e o festival é uma ótima oportunidade, às vezes, só conseguimos ir pelo movimento”.

Felipe complementa destacando como essa iniciativa é uma porta de entrada para que o público da periferia ocupe espaços que, muitas vezes, parecem não lhe pertencer. Isso ajuda a desmistificar a ideia de que o teatro deve ser restrito a uma elite.

Leitores, apoiem a arte democrática! Confira mais detalhes sobre essa história em nosso episódio no Spotify:

Apresentação: Thais Castro
Edição e sonorização: Thais Castro  
Produção: Naomi Mateus e Thais Castro 
Duração da reportagem: 2:45min