qui 21 out 2021
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Ombudsman: Serviço, serviço e serviço

Às vezes parece chato, às vezes só uma fixação. Com certeza vocês devem ter percebido pelos meus “pitacos” que valorizo muito o serviço nas matérias (mais nessa coluna “estendida” estendida do que em qualquer outra). Pois bem, meu princípio é simples: um leitor satisfeito é um leitor que vai voltar. Nesse mar que é a internet, é muito difícil conseguir a fidelidade dos navegantes. Vocês podem argumentar “mas isso é um jornal laboratório e não temos que priorizar audiência”. Não se trata disso, mas de duas coisas: aprendizado e relevância.

A universidade é um local de formação. E isto requer, também, consolidar as boas práticas. Fazer jornalismo para a internet é prestar atenção tanto no texto e na apuração quanto nos adendos que vão enriquecer a experiência do público. Isso é algo que precisa ser praticado sempre. E ainda mais quando cobrimos comportamento. De nada adianta fazer uma boa descrição de uma iniciativa, se o leitor não puder ter uma experiência estendida: saber onde fica, qual o telefone, qual o site, como colaborar, como participar etc. O engajamento é algo que é particularmente forte na web.

O Jornal Comunicação sofreu bastante na minha época. Tínhamos dificuldade de manter o site em pé, dificuldade de imprimir as versões impressas (esta, pelo jeito, não foi sanada) e dificuldade de conseguir relevância no meio acadêmico. Ser lido e comentado. Ser pautado pela universidade, mas também pautar as discussões que ocorrem nela. Além de um bom conteúdo, ter um bom alcance (ou seja, uma boa e recorrente audiência) é essencial para ser relevante.

Por esses dois fatores, é necessário termos cuidado nos detalhes que muitas vezes tomamos por pequenos: um link para um conteúdo interessante que nós mesmos fizemos, um link para uma iniciativa da UFPR que quisemos dar visibilidade, um telefone de contato… Agregar isso ao nosso conteúdo é fundamental para fidelizar o leitor. E, não se esqueçam, o que fazemos é sempre pelo leitor. Se não só por ele, pela comunidade ou sociedade onde ele está inserido.

Pitacos do mês (06/11 a 3/12)

– A matéria sobre o vestibular da UFPR não ficou boa. Primeiro, saiu cinco dias após a prova, com um balanço que poderia ter sido dado no dia seguinte (abstenção, participantes etc). Como hardnews “atrasado”, daria para focar no Enem (algo na linha “Provas do Enem e da UFPR em sequencia testam a resistência de vestibulandos”). Como a matéria estava “atemporal”, dava ainda para bater na velha, mas sempre pertinente, tecla da validade do vestibular (e do Enem) como ferramenta de seleção para o acesso ao ensino superior. (Vestibular: maratona de provas está só começando, de 7/11)

– Registrar esse marco para a Editora UFPR foi uma boa ideia. Mas, cadê o link para baixar o livro? Quando foi citada a alta no faturamento com a venda de eBooks, faltou dizer: quanto isso representa do total do mercado editorial no país? Outra informação que ficou faltando é se o ePub, apesar de ser um formato aberto, é suportado pelos eReaders mais populares do mercado (eu sei que o Kindle suporta, mas e o eReader da Saraiva?). (Editora UFPR lança primeiro livro digital, 11/11)

– Ok. É bom sair do comum e fazer resenhas de produtos culturais, para variar. Mas, onde eu posso assistir “You’re the Worst”? E o que significa isso? Temos que dar ao leitor uma ideia do título, mesmo que seja em tradução livre. Também faltou dizer se a série tem previsão para ir ao ar no Brasil (o que eu acho que não) e em que canal passaria. Há uma série de referências a outras séries, que não é informado se são veiculadas no Brasil e em que canais. Jornalismo de nicho é uma saída? Claro. Mas, não creio que o Jornal Comunicação seja um veículo de nicho. Nem todo mundo que lê é fanático por séries. Nem todo mundo que lê fala inglês. Nem todo mundo que lê é antenado. (A comédia – não tão – romântica sobrevivente, 12/11)

– Legais a iniciativa e a pegada do texto sobre o professor da UFPR que ganhou o Jabuti por tradução. Mas, qual editora publicou o livro e quanto ele custa? (A tradução afetiva de Guilherme Gontijo, 13/11)

– PACOTE CORRENTE CULTURAL:

1) Descobrir preciosidades como o Filmclub do Goethe – e poder ter um gancho bom para divulgá-las – é uma das coisas mais recompensadoras do jornalismo. Mas, onde posso conferir o calendário das exibições? Tem na internet ou tenho que ligar? E o blog Cinema em Curitiba, qual o link para ele? Isso faltou na matéria. (“O medo devora a alma” recebe pouco público na Corrente Cultural, 14/11)

2) Gostei muito da matéria sobre a programação do TUC. Ao final, houve contextualização sobre a importância do espaço para a cultura curitibana e paranaense. (TUC promove encontro intimista na Corrente Cultural 2014, 16/11)

3) Boa a matéria sobre a exposição de arte eletrônica. Instiga o leitor a visitá-la. E tem serviço! (Exposição internacional de arte eletrônica inova na Corrente Cultural de Curitiba, 16/11)

4) Excelente lembrar que gastronomia também é cultura (Uma pitada de pimenta na Corrente Cultural, 18/11)

– Faltou revisão na matéria sobre o Laboratório de Habitação e Urbanismo. Faltam vírgulas e há alguns erros básicos no texto (como 1,5 “milhões”). Quanto à reportagem, senti falta da parte mais “palpável” da atuação dos estudantes, que é junto às comunidades. De que maneira elas foram beneficiadas? A questão fundiária foi regularizada, está encaminhada ou houve solução para os problemas com enchentes? (Urbanismo em foco, 15/11)

– Mais uma matéria sobre um projeto interessantíssimo. E que não tem serviço. Não sei onde os pontos de coleta ficam, não sei como contatá-los. Uma pena. (Ler para transformar, 18/11)

– O material sobre a eleição do DCE ficou bom, mas saiu em cima da hora, com publicação apenas no último dia hábil para participar do pleito. Outra falha foi que faltou uma matéria “anunciando” o resultado da disputa. Essa informação só foi dada ao leitor em uma reportagem de 3 de dezembro, que faz um balanço da gestão que deixa o poder (“Nós não podemos, em momento algum, negar algum tipo de instrumento de luta dos estudantes” e “A gente tem que viver o espaço da universidade e para isso é preciso ocupá-lo” e “Retrospectiva ­Gestão DCE 2014: O Novo Pede Passagem” )

– Aparentemente, essa matéria foi publicada sem edição (não há nem quebra entre os parágrafos). E também faltou contextualização sobre o problema da seca na região Sudeste. (Seca da região Sudeste pode ser consequência da destruição da Amazônia, 21/11)

– Boa a ideia de usar perguntas de estudantes na entrevista com a astrofísica brasileira Duília de Mello. A iniciativa enriqueceu o material, com pontos de vista que extrapolam o olhar do jornalismo (De casa para NASA, 24/11)

– Ficaram muito boas as fotos da lavação das escadarias da Igreja do Rosário. Na matéria que motivou a galeria, há o dado de que Curitiba é a capital com maior proporção de negros em relação à população geral. Mas, de fonte esta informação? (Lavação da Igreja do Rosário celebra o movimento pela Consciência Negra, 26/11)

– História interessante, texto bom. Mas, onde estão os vídeos da viagem da curitibana para o Azerbaijão? Pela hashtag, presumo que eles devam estar em alguma rede social. Nesse caso, por que não colocar links (ou até incorporá-los) no texto? (Festa no Azerbaijão, 30/11)

Fabiano Klostermann é formado em Jornalismo pela UFPR. Começou sua carreira em 2006, cobrindo Esportes para a Gazeta do Povo, como freelancer. Em 2007, foi contratado pelo jornal O Estado do Paraná para atuar nas editorias de Cidades e Tecnologia. No mesmo ano,  mudou-se para São Paulo, onde atuou como redator, repórter e editor-assistente na editoria de Economia do Portal Terra. Em 2010, foi para a Editora Abril para ser editor de capa do portal Abril.com. Voltou a Curitiba em 2012 e, desde então, é editor de Vida e Cidadania na Gazeta do Povo.

Ombudsman
O ombudsman é um jornalista designado para a função de ouvidor de um jornal. É ele quem faz a crítica interna do veículo, quem recebe, analisa e repassa as críticas e sugestões dos leitores e quem produz, periodicamente, uma coluna com as reflexões referentes a esse trabalho. O cargo existe no Brasil desde setembro de 1989, quando a Folha de S. Paulo instituiu seu primeiro ombudsman.
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